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Política & Poder

Toffoli: ligações com Vorcaro tem convite para festa e conversas sobre pagamento

Redação Jornal de Brasília

12/02/2026 5h51

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Foto: Rosinei Coutinho/STF

O relatório da Polícia Federal sobre as conexões entre o ministro Dias Toffoli e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, detalha telefonemas entre os dois, o envio de convite para o aniversário do magistrado e conversas envolvendo pagamentos relacionados ao resort Tayayá, empreendimento da família do ministro. O documento, com cerca de 200 páginas e descrito por integrantes do Supremo Tribunal Federal como “nitroglicerina pura”, foi entregue ao presidente da Corte, Edson Fachin, pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

O relatório não pede formalmente a suspeição de Toffoli, mas apresenta elementos que, na avaliação de investigadores, dificultariam sua permanência na relatoria do caso Master. Interlocutores do ministro afirmam que o material não traz fatos relevantes além de quatro ligações e um convite não respondido, apontou O GLOBO.

Segundo a colunista Mônica Bergamo, Toffoli admitiu a pessoas próximas ter recebido valores da empresa Maridt, proprietária do resort, que vendeu participação a fundo ligado a familiares de Vorcaro. O ministro sustenta que os repasses foram regulares, pois também é sócio do empreendimento junto aos irmãos. A transação envolvendo o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, é apontada como um dos focos do relatório.

Em nota, Toffoli classificou o documento como baseado em “ilações” e afirmou que a PF não tem legitimidade para pedir sua suspeição.

A pressão sobre o ministro aumentou após uma série de decisões no caso. Toffoli assumiu a relatoria ao enviar o processo ao STF sob argumento de que havia menção ao deputado João Carlos Bacelar (PL-BA). No mesmo dia, decretou sigilo da investigação e viajou ao Peru em jatinho de empresário ligado ao setor financeiro.

Posteriormente, determinou que as provas ficassem sob custódia do STF e restringiu o acesso da PF ao material apreendido, liberando a perícia apenas a quatro agentes indicados por ele. Também encurtou prazos para depoimentos e criticou a corporação por suposta “inércia” na deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero.

As decisões provocaram embate direto entre o ministro e a PF. Agora, cabe a Fachin decidir se o relatório justifica eventual afastamento de Toffoli da relatoria — movimento que pode redefinir os rumos do caso Master no Supremo.

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