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Política & Poder

Toffoli autoriza, e PF abre inquérito para investigar atuação de influenciadores contra BC

Ministro autoriza inquérito sobre suposto “gabinete do ódio” digital ligado ao dono do Banco Maste

Redação Jornal de Brasília

28/01/2026 14h24

Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

LUÍSA MARTINS E JOSÉ MARQUES
FOLHAPRESS

O ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a abertura de um inquérito para apurar a rede de influenciadores que teria sido usada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, para descredibilizar o BC (Banco Central).

A decisão atende a pedido da PF (Polícia Federal), que identificou aproximadamente 40 perfis que teriam sido contratados por Vorcaro para integrar o “Projeto DV”, referência às iniciais do empresário.

O recrutamento dos perfis em redes sociais que fizeram um bombardeio digital contra Banco Central e investigadores no caso Master envolveu um contrato de confidencialidade de R$ 800 mil. A equipe responsável pela articulação das publicações enviou mensagens a influenciadores em meados de dezembro.

Internamente, agentes da PF que acompanham o caso já chamam o esquema de “gabinete do ódio” de Vorcaro, em alusão à rede de influenciadores digitais de direita que era utilizada pelo governo de Jair Bolsonaro para espalhar fake news sobre o sistema eleitoral e sobre adversários políticos do ex-presidente.

A informação sobre os contratos de influenciadores foi antecipada pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo. “Ofereceram valores expressivos”, disse o influenciador Rony de Assis Gabriel (PL-RS), que também é vereador por Erechim, a 370 quilômetros da capital gaúcha. Ele foi procurado, em 20 de dezembro, pelo marketeiro André Salvador, que disse estar com um trabalho de “gerenciamento de reputação e gestão de crise de um executivo grande”.

Salvador contatou, em 21 de dezembro, o deputado estadual Léo Siqueira (Novo-SP). Na ocasião, o profissional de comunicação se apresentou como funcionário da agência Mithi, de Thiago Miranda, um dos sócios do Grupo Léo Dias. O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro – Youtube Ambos os parlamentares recusaram as propostas, de acordo com gravações de tela vistas pela Folha.

A Folha procurou o André Salvador e ainda nao obteve retorno

O contrato enviado ao vereador gaúcho classifica como confidenciais as estratégias de comunicação, os planos e as informações jurídicas e financeiras, além dos nomes de qualquer participante da campanha —incluindo membros do time, parceiros e terceiros. O documento determina multa de R$ 800 mil em caso de quebra de sigilo. Salvador enviou a Gabriel exemplos de vídeos com críticas à atuação do BC no caso Master feitos por três influenciadores especializados em temas financeiros e o perfil de humor Alfinetada.

Este último postou conteúdo contra o ex-diretor do BC Renato Gomes em 30 de dezembro, dizendo existirem especulações de que ele poderia ir para o BTG. A página Alfinetada é assessorada pelo Grupo Farol, que disse nunca ter sido procurado para negociar ou intermediar comunicação relacionada ao Banco Master. “A atuação da empresa se limita exclusivamente à representação de publicidade para as marcas, mas sempre dentro dos limites legais e normas estabelecidas pelo Conar”, afirmou o grupo.

A ofensiva alinhada aos argumentos da defesa do Banco Master mira o ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, Renato Gomes. Foi a área dele que recomendou o veto à compra do Master pelo BRB e subsidiou os achados posteriormente relatados ao Ministério Público Federal.

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