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Política & Poder

TJ-RJ anula eleição de Douglas Ruas para presidente da Alerj

Decisão da desembargadora Suely Lopes Magalhães determina retotalização de votos das eleições de 2022 antes do processo eleitoral na Casa.

Redação Jornal de Brasília

26/03/2026 20h43

douglas ruas

Deputado Douglas Ruas. Foto: Divulgação/ Alerj

A presidente em exercício do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), desembargadora Suely Lopes Magalhães, anulou a votação da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) que elegeu o deputado Douglas Ruas (PL) como presidente da Casa, ocorrida nesta quinta-feira (26).

Na decisão, a magistrada considerou que o processo eleitoral na Alerj só poderia ser deflagrado após a retotalização dos votos das eleições de 2022 pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), conforme determinou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ao cassar o mandato do deputado Rodrigo Bacellar. A retotalização visa desconsiderar os votos recebidos por Bacellar, e o TRE marcou cerimônia para a próxima terça-feira (31).

A desembargadora explicou que, antes da eleição, é necessária a retotalização para definir a composição oficial do colégio eleitoral da Alerj. Ela enfatizou a cronologia lógica: primeiro retotalizar os votos para assegurar a legitimidade da composição da Casa e, só então, deflagrar o processo eleitoral.

Segundo Suely Magalhães, a mesa diretora da Alerj acatou apenas parcialmente a decisão do TSE, admitindo a vacância do cargo de presidente, mas não reconhecendo a perda do mandato de Bacellar nem a necessidade de retotalização, o que poderia alterar a composição do Parlamento.

A magistrada ressaltou que o processo deflagrado sem cumprir integralmente a decisão do TSE interfere não só na escolha do novo presidente da Alerj, mas também na definição de quem assumirá como governador do estado.

Desde maio de 2023, o Rio de Janeiro não contava com vice-governador, após a renúncia de Thiago Pampulha para assumir vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), aprovada pela Alerj. Com isso, o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, passou a ser o primeiro na linha de sucessão.

Em 3 de dezembro de 2023, Bacellar foi preso na Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, que investigou ligações de políticos com o Comando Vermelho. Por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), ele foi afastado da presidência, mesmo após ser libertado.

Assim, a Alerj passou a ser presidida interinamente pelo deputado Guilherme Delaroli (PL), que, por causa da interinidade, não ocupa lugar na linha de sucessão.

Na segunda-feira (23), o governador Cláudio Castro renunciou ao cargo, manifestando interesse em disputar vaga no Senado em outubro. A manobra visava escapar de inelegibilidade, pois o TSE o considerou cassado e inelegível até 2030 por abuso de poder político e econômico na campanha de 2022. A decisão também cassou Bacellar, ex-secretário de Castro, e determinou eleições indiretas para o governo na Alerj.

Desde a renúncia de Castro, o Executivo do Rio de Janeiro é comandado interinamente pelo presidente do TJ-RJ, Ricardo Couto de Castro.

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