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TCU vai afastar auditor que produziu ‘relatório paralelo’ citado por Bolsonaro

Levantamento não oficial foi feito pelo auditor Alexandre Figueiredo Costa Silva, que teria inserido a informação no sistema sem que constasse de qualquer processo do órgão

Foto: Agência Brasil

O Tribunal de Contas da União (TCU) vai afastar do cargo por 60 dias o servidor que produziu um documento sobre mortes na pandemia do novo coronavírus. Segundo o Estadão apurou com integrantes do tribunal, a presidente da Corte, Ana Arraes, vai dar aval para um pedido feito pelo corregedor do TCU, ministro Bruno Dantas. Em seu relatório, Dantas ainda sugere que seja aberto inquérito policial contra o funcionário.

O levantamento não oficial foi feito pelo auditor Alexandre Figueiredo Costa Silva, que teria inserido a informação no sistema sem que constasse de qualquer processo do órgão. Esse documento foi citado pelo presidente Jair Bolsonaro como forma de comprovar sua tese de que cerca de metade das mortes registradas como covid-19 não seriam causadas pela doença.

Em seu relatório, o corregedor do TCU afirma que o afastamento do cargo é necessário para que o auditor não influencie nas apurações sobre o caso. Dantas também sugere a abertura de inquérito policial para investigar eventual crime de prevaricação, que diz respeito a atos contra a administração pública visando interesse pessoal. Costa Silva também será impedido de entrar no prédio do TCU e terá seu acesso ao sistema eletrônico do tribunal suspenso.

Em nota, o tribunal afirmou que o documento produzido pelo auditor se trata de uma análise pessoal do funcionário. “O documento refere-se a uma análise pessoal de um servidor do tribunal compartilhada para discussão e não consta de quaisquer processos oficiais desta Casa, seja como informações de suporte, relatório de auditoria ou manifestação do tribunal. Ressalta-se ainda que as questões veiculadas no referido documento não encontram respaldo em nenhuma fiscalização do TCU”, diz o comunicado.

Na segunda-feira, 7, ao conversar com apoiadores no Palácio da Alvorada, Bolsonaro atribuiu a informação sobre supernotificação de mortes ao próprio TCU, mas foi desmentido na sequência. Em nota, o tribunal disse que não “há informações em relatórios do tribunal que apontem que ‘em torno de 50%’ dos óbitos por covid no ano passado não foram por covid, conforme afirmação do presidente Jair Bolsonaro”.

Alguns dos apoiadores do governo reproduziram o relatório do servidor do TCU que aponta a “supernotificação” de mortes por covid para reforçar a narrativa. Na nota, a corte de contas esclareceu que o levantamento não é oficial. “O TCU reforça que não é o autor de documento que circula na imprensa e nas redes sociais intitulado ‘Da possível supernotificação de óbitos causados por Covid-19 no Brasil’”, diz trecho da nota. A reportagem tentou contato com o auditor Alexandre Figueiredo Costa Silva, mas foi informada pelo TCU de que ele não quer se manifestar.

Estadão Conteúdo

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