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Política & Poder

Tarcísio escolhe Aluísio Segurado como novo reitor da USP

Com debate sobre futuro financiamento no horizonte, professor Aluísio Segurado assume reitoria da USP defendendo diálogo político amplo

Redação Jornal de Brasília

02/12/2025 15h19

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Foto: Divulgação/USP

ISABELA PALHARES
FOLHAPRESS

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) escolheu o professor Aluísio Segurado como o novo reitor da USP, mais prestigiada universidade da América Latina. Ele venceu as eleições acadêmicas, e encabeçou a lista tríplice.

A Folha de S.Paulo apurou que a nomeação deve ser anunciada nesta quarta-feira (3).

Segurado venceu com ampla vantagem tanto na consulta aos alunos, docentes e funcionários, quanto na votação da assembleia universitária. Sua indicação, no entanto, ainda dependia da decisão final do governador.

Tradicionalmente, o mais votado pela comunidade universitária da USP é o escolhido, mas já houve casos, como em 2009, quando o então governador José Serra indicou o segundo colocado, João Grandino Rodas.

Também durante a ditadura militar, quando Paulo Maluf escolheu o diretor da Escola Politécnica Antônio Hélio Guerra Vieira, candidatos menos votados foram escolhidos.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Segurado disse que o maior desafio a ser enfrentado pela universidade nos próximos anos será a elaboração de um novo formato de financiamento para as universidades estaduais paulistas (consequência da reforma tributária, que acabará com o ICMS).

Por isso, defendeu que o novo reitor precisará ter habilidade para dialogar com todos os espectros políticos e conseguir minimizar os ataques de grupos conservadores e da direita contra a USP.

“Essa discussão vai exigir que tenhamos à frente da reitoria lideranças capazes de fazer essa articulação, com muita escuta e capacidade de fazer a sociedade ficar do nosso lado. Precisamos de um reitor que saiba dialogar com todo o espectro político que vai estar envolvido nesse debate.”

Segurado destaca também que o novo reitor precisa estar preparado para lidar com a renovação do quadro político em São Paulo para a discussão do financiamento, já que o próximo ano terá eleição para governador e deputados estaduais.

Segurado foi pró-reitor de graduação da atual gestão do reitor Carlos Gilberto Carlotti Junior. Professor da Faculdade de Medicina e infectologista, ele dirigiu o Instituto Central do Hospital das Clínicas (HC) durante a pandemia de coronavírus.

Ele destacou como a USP foi importante durante a pandemia e teve seu papel reconhecido pela sociedade. Para ele, a universidade precisa encontrar meios de se mostrar atuante e participativa como naquele momento.

“Nós fizemos uma mobilização de guerra e em poucas semanas transformamos o HC para atender exclusivamente os pacientes com Covid. Em um momento tão crítico para o estado de São Paulo, a USP se colocou inteira à disposição da população e não poderia ser diferente, nós servimos à sociedade.”

O professor da Faculdade de Medicina diz que os ataques registrados na USP nos últimos meses são consequência de uma sociedade polarizada e avalia que a forma de enfrentá-los é chamar esses grupos conservadores para o diálogo.

À frente da pró-reitoria de graduação, Segurado conduziu um diagnóstico sobre o preenchimento das vagas ofertadas e as taxas de evasão de cada curso.

Ele diz ter encontrado gargalos que precisam ser enfrentados para que mais jovens tenham a oportunidade de entrar, e se formar, na USP e também evitar desperdício de recursos públicos.

Ele explica que, nos últimos quatro anos, a universidade investiu em estimular a revisão dos currículos das graduações —com a mudança de mais de 140 projetos pedagógicos de curso. Segundo ele, a USP vive um momento único para a implementação dessas mudanças já que renovou 20% do seu quadro docente recentemente (foram contratados cerca de 900 professores).

“São professores jovens, dispostos e abertos a fazer as mudanças que os alunos de hoje requerem.”
Agora, diz, ser a hora de fazer adaptações para maior atratividade e redução das taxas de evasão dos cursos, por entender que baixa procura e elevado abandono estão relacionados a problemas no currículo ou na qualidade do ensino.

“Precisamos repensar a forma como exigimos que os candidatos escolham a opção de curso no vestibular. Nós exigimos um grau de decisão que é muito prematuro para o jovem, ele sequer tem maturidade para escolher um percurso formativo tão detalhado dentro da área em que tem interesse.”

Para reduzir a evasão, ele pretende criar um Núcleo de Acessibilidade Pedagógica para fazer as adaptações necessárias para alunos neurodivergentes, com deficiência e até mesmo com lacunas de conhecimento.

“Engana-se quem acredita que só alunos da escola pública entram na USP com dificuldade. Nós estamos recebendo estudantes que passaram dois anos da vida escolar com aulas remotas, isso afetou a todos e perdura até hoje.”

“Vou dar um exemplo hipotético: é justo que a gente cobre do vestibulando escolher entre entrar no curso de geofísica, geologia ou meteorologia? Ele sequer sabe identificar qual é a diferença entre essas carreiras”, complementa Segurado.

Para ele, é preciso mudar a mentalidade de que o ensino na USP é difícil. “Ele precisa ser exigente, mas não difícil. A experiência do aluno no primeiro ano de uma graduação na USP precisa ser acolhedora, não aterradora. Ele precisa vestir a camisa da universidade, se sentir pertencente. A revisão desse primeiro será uma

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