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Política & Poder

Tarcísio decide manter vice na chapa mesmo sob pressão do PL

Segundo aliados, Tarcísio e Kassab devem conversar nos próximos dias para definir se o PSD permanecerá com a vaga de vice da chapa, com a premissa de que Ramuth siga no cargo.

Redação Jornal de Brasília

20/03/2026 0h17

Foto: Vinicius Rosa/Governo do Estado de SP

Foto: Vinicius Rosa/Governo do Estado de SP

ANA LUIZA ALBUQUERQUE
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Aliados do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmam que ele está decidido a manter em sua chapa à reeleição o vice Felício Ramuth (PSD), apesar da pressão do PL pela vaga.


Ainda é preciso definir, porém, se Ramuth permanece no PSD, já que o presidente do partido, Gilberto Kassab -que também é secretário de Governo- manifestou interesse pela posição. Interlocutores dos dois afirmam que, por ter sido preterido pelo governador, Kassab pode se recusar a conceder a legenda para que Ramuth seja o vice novamente.


Interlocutores de Tarcísio dizem, sob reserva, que Ramuth teve um desentendimento com Kassab e seu futuro no partido é incerto. O entorno do vice-governador, porém, nega o atrito e afirma que ele deseja permanecer na sigla.


Segundo aliados, Tarcísio e Kassab devem conversar nos próximos dias para definir se o PSD permanecerá com a vaga de vice da chapa, com a premissa de que Ramuth siga no cargo.


Se deixar o partido, o destino mais provável do vice-governador será o MDB, que compõe o arco de alianças de Tarcísio e não tem pré-candidato próprio ao Senado. Se esse for o caso, o governador deve participar da articulação para a filiação de Ramuth a uma nova sigla.


Como mostrou a Folha de S. Paulo, a relação de Tarcísio e Kassab também ficou estremecida por causa, entre outros motivos, da atuação partidária do secretário.


Ramuth é investigado por suposta lavagem de dinheiro em Andorra, como revelou o site Metrópoles em fevereiro. Ele nega qualquer irregularidade e afirma ter prestado todos os esclarecimentos às autoridades do país.


Integrantes da base especularam que o vazamento da notícia pudesse ter partido de Kassab, para minar as chances do correligionário de continuar na vice. À reportagem, o presidente do PSD negou ter envolvimento com o episódio e lamentou “o baixíssimo nível das intrigas”.


Dias depois da notícia sobre a investigação de Ramuth, Tarcísio negou à imprensa que o caso fosse afetar a formação da chapa. “Fofoca antes de eleição sempre tem”, disse ele. Como mostrou a Folha de S. Paulo, o vice tinha a preferência do governador desde o fim do ano passado.


A vice é especialmente importante porque a expectativa é de que Tarcísio se lance à Presidência em 2030 -logo, o número 2 assumiria o governo no mínimo seis meses antes da eleição, segundo o prazo de desincompatibilização, e seria o candidato natural ao cargo.


Aliados de Tarcísio explicam a decisão de manter o mesmo vice na chapa com a famosa expressão popular: “em time que está ganhando não se mexe”.


Para eles, o governador enxerga Ramuth como um aliado leal, que não ameaça o poder político do chefe. Segundo um interlocutor, a insistência de Kassab para ocupar o posto, passando por cima de Ramuth, pode ter gerado um efeito contrário ao desejado pelo líder partidário.


O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, também vinha pressionando para que Tarcísio aceitasse na vaga seu afilhado político, o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, deputado André do Prado (PL).


Integrantes do partido dizem que Tarcísio faz uma escolha “segura” ao se decidir por Ramuth e preterir André, que tem grande influência sobre o Legislativo paulista.


Em fevereiro, deputados da Alesp articularam um abaixo-assinado em defesa da indicação do colega. Interlocutores do governador afirmaram que o documento poderia ser interpretado por ele como uma forma de pressão e mais atrapalhar do que ajudar André a ser escolhido.


No fim daquele mês, após encontro com Tarcísio, o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, afirmou que o governador seria responsável por escolher o próprio vice. Interlocutores têm dito que essa é uma decisão pessoal, que não pode ser tomada por terceiros.


Na semana passada, Valdemar e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), autoexilado nos Estados Unidos, se encontraram em Dallas, no estado do Texas. Segundo aliados de Eduardo, os dois trataram da eleição em São Paulo e o presidente do PL pediu o apoio do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para emplacar André na chapa de Tarcísio.


Nas últimas semanas, à medida que foi ficando clara a decisão de Tarcísio de manter Ramuth na sucessão, porém, integrantes do PL e dirigentes partidários passaram a especular que o presidente da Alesp possa concorrer ao Senado.


Em 2026, duas das três cadeiras de cada estado estarão em disputa -ou seja, serão eleitos para a Casa os dois mais votados.


Segundo acordo antigo dos partidos da base de Tarcísio, o governador teria direito a indicar um nome para concorrer a uma das vagas -o escolhido seria seu ex-secretário de Segurança, o deputado federal Guilherme Derrite (PP). A outra seria de Eduardo Bolsonaro.


Como Eduardo não pode voltar ao Brasil pelo receio de ser condenado ou mesmo alvo de uma ordem de prisão do Supremo Tribunal Federal, seus aliados defendem que ele tem o direito de nomear um substituto.


Segundo interlocutores, ele tende agora a trabalhar pelo nome do deputado federal Mario Frias (PL), desafeto da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). O preferido de Jair Bolsonaro para a missão, porém, seria o coronel Mello Araújo (PL), vice do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

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