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Política & Poder

Sindicatos já falam em impeachment de Rollemberg

Arquivo Geral

12/10/2016 7h00

Atualizada 11/10/2016 22h08

Wilson Dias/Agência Brasil

Caloteiro e irresponsável. É assim que a presidente do SindSaúde-DF, Marli Rodrigues, classifica o governador Rodrigo Rollemberg. No portal do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde, um cronograma faz a contagem regressiva para o fim do que chamam de “governo da maldição”: 809 dias. Mas se depender da sindicalista, ele sai antes. Bem antes. “Vamos atrás do impeachment e da renúncia dele. Brasília não merece ter um governo tão irresponsável”, dispara Marli.

Os servidores, diz ela, perderam a esperança de melhoria. “Todos querem a saída imediata de Rollemberg do governo”, complementa. “Ele não está nem aí para o mal que ele está fazendo pra saúde.”

Saiba mais

  • A tentativa de interferência do governador Rodrigo Rollemberg nas investigações da CPI da Saúde foi parar na Procuradoria Geral da República (PGR).
  • O deputado federal Laerte Bessa (PR-DF) ingressou com representação contra o chefe do Executivo, porque, na opinião dele, “trata-se de um evidente caso de obstrução dos trabalhos da CPI e de intimidação contra o presidente (deputado Wellington Luiz)”.

Servidora da Secretaria de Saúde há 34 anos, Marli Rodrigues diz que jamais vira a saúde pública na situação em que está. “Nunca lidamos com tantas mentiras, assédios e mordaça quanto agora. Estamos assistimos os pacientes morrerem e não existe autoridade no mundo que dê jeito nisso. Temos a impressão que até a Justiça está amordaçada”, aponta.
Os servidores estão obrigados, nas palavras de Marli, a trabalhar em “péssimas condições”. E de boca calada. “Sofremos assédio moral, como nem na época da ditadura militar ocorria”, desabafa.

Compromisso com doador

Para ela, Rodrigo Rollemberg não se preocupa com a cidade. “Ele tem compromisso apenas com quem o elegeu”, diz a sindicalista, ao lembrar do médico Mouhamad Moustafa, que foi preso pela Polícia Federal, na Operação Mãos Limpas. Por meio das organizações sociais que ele controla – e que pretende instalar no DF para gerir as unidades de saúde básica, Moustafa doou R$ 600 mil à campanha do governador, em 2014.

“Terceirizar a saúde tanto paga divida de campanha quanto é um negócio rentável”, observa Marli, ao dizer que as entidades ditas sem fins lucrativos do médico fizeram as doações. “Parece mais combinação”, cutuca.

A urgência com que Rollemberg trata a questão das organizações sociais, na opinião de Marli, é um mistério: “É como se fosse uma dívida que ele precisa pagar, se não morre.”

Organizações sociais

Apesar das tentativas – e algumas vezes até certeza – do governador Rodrigo Rollemberg de implementar organizações sociais para gerir os serviços de saúde do DF, Marli Rodrigues acredita que ele não conseguirá convencer a população de que o modelo seja bom. “O governador tenta posar ao lado dos poderosos, para mostrar que está fortalecido. Mas sabemos que ele é fracassado e reprovado pela opinião pública”, afirma.

Na semana passada, Rollemberg e secretários da atual gestão participaram de um evento para debater as organizações sociais. Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes e Carlos Ayres Britto, fizeram coro à ideia do governador e defenderam a busca por novas alternativas para a prestação de serviços públicos.

Greve em duas semanas

Os servidores públicos das 32 categorias que deveriam receber, no ano passado, uma parcela do reajuste salarial, estão organizados em um movimento unificado, que, a partir do dia 26, deve deflagrar paralisações, caso o governo não cumpra com a promessa de pagar em outubro.

Presidente do Sindicato dos Médicos do DF, Gutemberg Fialho diz que espera ser surpreendido pelo governo, mas, pelo estilo da atual gestão, teme pelo pior. “Ele tem mantido o estilo de acirrar os conflitos”, explica.

O decreto que penaliza os servidores por paralisações, na opinião do sindicalista, é um exemplo de que o governador não quer diálogo com as categorias. “É um decreto autoritário que tenta impedir os servidores de se manifestarem democraticamente”, dispara.

Questionado se há um apagão de gestão no Distrito Federal, Gutemberg não economiza: “Quando se fala em apagão, fica subentendido que tinha alguma coisa acesa”.

Segundo ele, não há que se falar em ineficiência neste governo, mas de total ausência de gestão. “Eu não diria apagão, pois nunca houve luz”, conclui.

Nada ainda no Buriti

O Palácio do Buriti ainda não anunciou se vai pagar – ou não – os reajustes, embora tenha dado todos os sinais de que o calote está a caminho. Segundo a assessoria de imprensa da Casa Civil, a equipe ainda está debruçada sobre os números para que o governo tome a decisão.

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