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Simone Tebet admite resistências no MDB e diz contar com PSDB e voto feminino

Outro ponto de seu ponto de governo que adiantou foi a recriação do ministério da Segurança Pública, para centralizar algumas ações

Por FolhaPress 25/05/2022 2h23
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Renato Machado
Brasília, DF

A pré-candidata do MDB à presidência da República Simone Tebet afirmou nesta quinta-feira (25) que não tem dúvidas de que o PSDB vai apoiar o seu nome e dar o aval para concorrer em nome do grupo de partidos da chamada terceira via.

Tebet também minimizou eventuais resistências a seu nome dentro do próprio MDB. Disse que pode não ser unanimidade no partido atualmente, mas que a sigla estará unida na convenção partidária –que dará a palavra final sobre a candidatura.

“Nós não temos a unanimidade do partido, mas teremos a unanimidade na convenção. Isso que é importante. Essa unanimidade significa unidade”, afirmou em entrevista a jornalistas.

O presidente Baleia Rossi (MDB-SP) havia dito no dia anterior que seu nome era chancelado por 90% do partido, embora haja alguns diretórios, em particular no Nordeste, que são contrários a uma candidatura própria.

Tebet também completou que a construção de uma aliança com o PSDB está em andamento e disse estar segura que os tucanos estarão ao seu lado. Nesta semana, o ex-governador João Doria anunciou a desistência de concorrer, após se ver isolado e perder o apoio do seu próprio partido.

“O Brasil chama e clama pelo centro democrático. E a esse clamor o MDB também grita: “presente”, junto com o Cidadania, e, em breve, não tenho dúvidas, o PSDB […] Eu não tenho dúvida que estaremos com aqueles que sempre foram nossos aliados de primeira hora, homens e mulheres de bem do PSDB. Não tenho dúvida que essa construção está sendo muito bem feita pelo nosso presidente Baleia Rossi junto do presidente [do PSDB] Bruno Araújo”, completou.

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Tebet recebeu o aval do MDB nesta terça-feira (24) para ser a candidata da terceira via. No mesmo dia, o Cidadania também realizou reunião da sua executiva nacional e chancelou o nome da senadora.

Dentre os partidos que permanecem no bloco, falta ainda a aprovação do PSDB, em reunião que deve ser realizada no dia 2 de junho. Para uma parcela dos políticos tucanos, no entanto, há resistência ao nome de Tebet.

Ainda patinando nas pesquisas eleitorais, Tebet disse que agora começa uma nova caminhada, com viagens ao Brasil para tentar divulgar as suas propostas. Afirma que ainda é desconhecida da população que por enquanto se manifesta escolhendo atualmente o “menos pior”.

Afirma ser capaz de conquistar metade da intenção de voto dos atuais dois líderes das pesquisas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o atual presidente Bolsonaro.

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“Estou pronta, preparada, me sinto honrada com essa missão, ciente dessa responsabilidade. Mas com fé em Deus vamos lograr êxito, vamos para o segundo turno, e, no segundo turno, vamos ganhar essa eleição”, afirmou.

Simone Tebet também ressaltou a importância do voto feminino nessas eleições e disse que hoje “mulher vota em mulher” e também “homem vota em mulher”. Ressaltou a importância de haver uma política candidata à Presidência, argumentando que uma “mulher que se empodera, empodera outra mulher”.

“Eu era risco [sem intenção de votos nas pesquisas], virei 1% e agora sou 2%, aumentei 200% sem sequer me apresentar ao Brasil. Não vamos menosprezar a força das mulheres eleitoras que não estão satisfeitas com o Brasil que têm”, afirmou,

No entanto, ela foi perguntada na sequência sobre sua fala inicial, na qual elencou políticos que a inspiraram na sua trajetória política e apenas citou homens.

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Respondeu que não mencionou mulheres justamente pela falta de representatividade delas na política no passado e que sua candidatura é justamente um passo nesse sentido.

“Eu não consigo fazer referência a uma mulher que pode estar naquele momento, pelo menos que a história conta. Eu falo de muitas, eu poderia citar. Mas o que eu estou dizendo é que é por isso [falta de representatividade] que eu faço política”, afirmou.

A senadora emedebista também adiantou que seu eventual governo terá paridade entre homens e mulheres nos cargos de primeiro escalão.

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“Já está no meu programa de governo a criação de um governo paritário entre homens e mulheres. Bastam dois requisitos: que tenham competência e vontade de servir ao Brasil”, afirmou.

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Ainda na questão de gênero, a senadora foi questionada sobre a possibilidade e importância de ter uma candidata à vice-presidência mulher, hipótese que foi levantada pela também senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), de um partido que integra a terceira via. Tebet evitou responder a pergunta e afirmou que a questão da escolha do vice cabe aos presidentes dos partidos do bloco terceira via.

Outro ponto de seu ponto de governo que adiantou foi a recriação do ministério da Segurança Pública, para centralizar algumas ações nessa área. Simone Tebet também foi questionada sobre a operação policial na Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, que deixou pelo menos 25 mortos. A senadora descreveu como “massacre” e criticou duramente a postura do presidente Jair Bolsonaro (PL), que elogiou os policiais. E também disse que “lugar de bandido é na cadeia”.

“É preciso que utilizemos exatamente essa palavra [massacre]. O que aconteceu ontem foi um massacre. E nenhum dirigente, o presidente da República ou o cidadão mais comum, tem o direito de festejar a morte de quem quer que seja”, afirmou.

“A questão de segurança pública é séria. Lugar de bandido é na cadeia, mas o papel da política é de prevenção, de repressão de utilizar-se da inteligência para poder abordar, prender e deixar com a justiça o papel que lhe cabe de julgar e condenar”, afirmou.








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