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Política & Poder

Servidoras se acorrentam em protesto contra fechamento de maternidade em hospital de São Paulo

Funcionárias do Hospital do Servidor criticam transferência dos partos para unidade privada e apontam precarização do atendimento

Redação Jornal de Brasília

31/07/2025 21h26

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Sindisep

LUANA LISBOA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Seis servidoras municipais protestaram na noite desta quinta-feira (31) contra o fechamento do centro obstétrico do Hospital do Servidor Público Municipal, na Aclimação, na região central de São Paulo.

As funcionárias se acorrentaram à porta do centro obstétrico, no 8º andar do prédio, contra decisão da Prefeitura de São Paulo de contratar, via pregão, o serviço no Hospital San Patrick Portinari, na Vila Jaguara, zona oeste da cidade.

A Secretaria Municipal da Saúde afirma que todas as servidoras gestantes continuarão tendo assistência garantida para o atendimento de obstetrícia.

As servidoras municipais argumentam que a decisão refletirá na precarização do serviço. “No pregão, pelo formato do contrato, não pode ter uma exigência de indicador de qualidade, o contrato é enxuto”, diz Flávia Anunciação, servidora do hospital há 30 anos e dirigente do Sindsep (Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo).

“Essa aqui [protesto com correntes] é uma parte da nossa indignação. Como é que você compra um serviço de UTI neonatal, obstetrícia e UTI obstétrica via pregão?”, questiona.

A gestão municipal diz que a reorganização do serviço permitirá otimizar os leitos hospitalares do HMSP para outras especialidades e que a contratação do Hospital Saint Patrick atendeu a todas exigências e requisitos técnicos do edital.

Segundo as servidoras, algumas mães já foram transferidas do HMSP ao novo local do serviço contra as suas vontades.

“Para ficar mais confuso ainda, o contrato do pregão diz que a mãe que estiver para ter o bebê e passar no HMSP, será transferida para lá. Mas se o neném ou ela precisar de UTI, depois de três dias, serão devolvidos ao hospital do servidor”, diz Flávia.

As servidoras protestam ainda em favor de uma gestante de risco que está na unidade e não quer ser transferida para o Saint Patrick. O Sindsep afirma que uma servidora da educação municipal já foi vítima de violência obstétrica na unidade.

“O hospital não está adequado para receber essas mulheres e é uma empresa não recomendada pelo Reclame Aqui, lá tem inúmeras reclamações”, diz Flávia.

Segundo a gestão municipal, entre 1 e 30 de julho, houve a demanda por sete partos na unidade.

“Desde o início da prestação de serviço foram registradas duas reclamações, acolhidas e reportadas à empresa para providências. As puérperas e recém-nascidos mantêm o acompanhamento com consultas previamente agendadas nos ambulatórios central e descentralizados do HSPM, após a alta hospitalar do serviço referenciado. Além da pesquisa institucional de satisfação do cliente, encontra-se em fase de implementação um questionário específico para as pacientes da clínica de obstetrícia para ampliar o canal de comunicação e avaliar o atendimento no serviço contratado”, diz a prefeitura.

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