O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, se valeu hoje do penúltimo debate na televisão para atacar a política externa do Governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a quem acusou de se “aliar a ditaduras”.
Segundo Serra, Lula “se aliou a regimes ditatoriais como o do Irã, que enforca seus opositores, apedreja mulheres, detém jornalistas e claramente está na corrida para conseguir a bomba atômica”.
Ele se referiu assim às estreitas relações que o Governo Lula estabeleceu com o regime teocrático de Teerã, e à defesa que fez do “direito” do Irã a um desenvolvimento nuclear pacífico, apesar das suspeitas que existem sobre o caráter bélico de seus programas.
Na opinião de Serra – que tem intenções de voto próximas a 30%, segundo as pesquisas – a política externa do Brasil deveria ser direcionada para a promoção “da paz mundial, a não-intervenção, os direitos humanos e a democracia”.
Pelo formato do debate, organizado pela “Rede Record”, as críticas de Serra foram comentadas por Plínio de Arruda Sampaio, candidato do PSOL.
Plínio, com seu estilo tradicionalmente ácido, disse que considera uma “ingenuidade e uma grande megalomania da parte de Lula querer ser mediador no Oriente Médio ou no Irã, ou enviar tropas de ocupação ao Haiti”, como qualificou as forças de paz da ONU nessa nação.
No entanto, embora tenha concordado parcialmente com Serra, afirmou que quem “mais problemas cria no mundo com os direitos humanos são os Estados Unidos, que é um país ditatorial, com o qual o Brasil sempre teve uma relação exemplar”, avaliou.
Em relação ao Irã, Plínio sustentou que “se os Estados Unidos têm bombas atômicas e se Israel as tem, então o Irã também pode tê-las”.