Eduardo Brito e Francisco Dutra
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Em tempos de radicalismos verdes, amarelos, vermelhos e azuis o senador eleito Izalci Lucas (PSDB) participa do projeto para a criação de um grupo moderado no Senado Federal. Segundo o tucano, a ideia nasce com a simpatia de PSDB, PSD, PR, Podemos e PTB, partidos que passam de 25 parlamentares com mandato em 2019. O objetivo é conter e esfriar projetos extremistas na Casa. Prometem trabalhar pela votação de pautas equilibradas, nem tão doces e nem tão amargas para a população.
“Nós já fizemos reuniões no sentido de buscar uma bancada suprapartidária, mas que seja um pouco mais moderada, para a gente enfrentar essa questão da intolerância, do radicalismo, de direita ou de esquerda. A gente precisa entender e votar com consciência. Sem muito radicalismo. A gente tem os desafios da reforma da previdência e da reforma tributária e para conduzi-los precisamos de uma bancada moderada”, avalia Izalci.
O Senado tem no horizonte do próximo ano a votação do projeto que equipara a invasão de terras e atividades semelhantes a atividades terroristas. Para Izalci, o texto só passará se for moderado. O próprio Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já fecha as portas da regularização fundiária para invasores de terras. Neste contexto, o tucano acredita que projeto não vai carimbar a invasão como ato de terrorismo. “Acredito que não”, reforça.
O senador eleito considera que o debate sobre a pena de morte no Brasil não tem terreno para avançar. “É cláusula pétrea. Para fazer uma modificação nesse nível você tem que fazer uma Constituição específica para isso. Não há margem para debate agora. Sou católico e acredito que ninguém tem direito de tirar a vida de ninguém”, argumenta. Por outro lado, o tucano defende penas e estratégias mais duras contra o crime, para acabar com clima atual de impunidade. O polêmico saidão dos presos, por exemplo, está na lista de descarte do parlamentar.
Sendo um dos responsáveis da versão original do controverso projeto “Escola sem Partido”, Izalci não vê chances de aprovação do texto atual em tramitação no Congresso. Para o tucano, a ideia inicial foi distorcida por um arrastão de emendas e modificações deixando a matéria extremamente radical e nociva para o ambiente escolar, seja para os alunos ou aos professores e os demais atores da comunidade escolar.
Recado é pela mudança
O grupo moderado tem potencial para se tornar força decisiva para no Senado, caso as conversas evoluam para um movimento político real. Afinal o Congresso está fragmentado entre 28 partidos. Por enquanto, o grupo não fixa posição na eleição do próximo presidente do Senado e nem da composição das comissões da Casa. No entanto, Izalci Lucas não fecha os olhos para movimentações radicais na batalha pelo comando do Congresso.
Por enquanto três nomes são os mais citados para a presidência: o reeleito Renan Calheiros (MDB), a líder Simone Tebet (MDB) e o veterano tucano Tasso Jereissati. O também senador Flávio Bolsonaro disparou que Renan “não tem a menor condição” de ser presidente. Para Izalci, a frase foi infeliz. “É uma colocação até irresponsável, porque é um Poder independente. Não se escolhe porque o Planalto vai aceitar ou não. É democrático. Agora, no caso de Renan, as urnas deram o recado: o eleitor quer mudança”, pondera.
Izalci lembra que há tradição da proporcionalidade nas eleições da Casa. Por isso, tem mais condições de chegar ao comando o partido ou bancada com maior número de parlamentares. Pelo resultado das urnas de outubro, sairia na frente o MDB. “Mas muitos políticos não entenderam os recados das manifestações de 2013, 2014. O resultado é que o Congresso teve uma renovação de 85%. “E se o candidato for o Renan a gente percebe que haverá, sim, candidaturas avulsas para disputar com ele”, afirma.
Saiba Mais
No espinhoso debate da reforma da previdência, o senador eleito defende uma nova estratégia. É preciso ir além, com reformulação da máquina pública. O sistema precisa ser digitalizado, racionalizado, e separar aposentadorias de gastos com assistência. Benefícios precisam ser revistos e ralos de corrupção fechados. “Aí vamos rever as regras. Mas de forma menos radical do que a versão atual”, completa. A mesma estratégia vale para a reforma tributária.
Para Izalci, o PSDB precisa fazer uma reformulação profunda em 2019. O partido precisa voltar para as ruas, ouvir a população e abandonar a pecha de agremiação das elites. E a sigla deve avançar nas redes sociais. Outro ponto crítico: os tucanos precisam ter unidade, coerência e posição clara sobre os grandes temas do país. Ficar em cima do muro custou muito caro para a legenda nas eleições de 2018.