Francisco Dutra
Especial para o Jornal de Brasília
A percepção dos brasilienses ouvidos pela pesquisa Exata publicada ontem pelo Jornal de Brasília está correta, acredita o senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Ele afirma que a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram tolerantes com a corrupção na Petrobras, até o escândalo ser detonado na operação Lava Jato.
Segundo o estudo da Exata, 81,4% dos brasilienses consideram que Dilma e Lula estavam a par da pilhagem de recursos públicos durante o “Petrolão”.
“Na minha opinião, Dilma e Lula foram tolerantes com a corrupção na Petrobras. Não sei o motivo. Ou sabiam para botar dinheiro no bolso ou toleraram para ganhar as eleições. De qualquer forma, foi corrupção”, declara o senador.
Segundo Cristovam, Dilma e Lula só não teriam algum grau de conhecimento se fosse “incompetentes” ou “descuidados”. E para Cristovam, os nomes de ambos não conjungam com estes adjetivos.
Andorinha só
O presidente regional do PSD e deputado federal Rogério Rosso defende o Planalto. “É notório o trabalho que a presidente Dilma tem feito para resolver a crise política e econômica. Mas uma andorinha só não faz verão”, argumentou.
Do ponto de vista de Rosso, a pesquisa de opinião dos brasilienses indica que o Governo Federal precisa melhorar de forma significativa em dois pontos. Em primeiro lugar, o deputado considera que o Planalto deve aprimorar suas ferramentas de comunicação e informação para reconstruir a imagem da presidente e também reaproximá-la efetivamente da população.
O segundo ponto é a economia. Para Rosso, o governo precisa definir linhas de ação para debelar a crise financeira e reaquecer o mercado com urgência. Só um desempenho econômico robusto, com retomada de empregos e renda pode viabilizar a reconstrução da imagem de Dilma e, por tabela, de Lula.
PT aposta na recuperação
Apesar da crise política e econômica, o PT está confiante em recuperar a imagem de Dilma e Lula. “As pesquisas são momentos. A população desaprova, mas o governo pode melhorar. Falar em impeachment porque a população do DF, do País, não está satisfeita é um absurdo”, pondera o secretário geral do PT brasiliense, o deputado distrital, Ricardo Vale.
Segundo Vale, abrir um processo de cassação apenas com avaliações da população, pode colocar em xeque a democracia. O deputado confessa que as pesquisas forçam o PT e o Planalto a uma autocrítica, especialmente em relação à qualidade das alianças feitas em nome da governabilidade, muitas delas feitas com partidos sem identidade de projetos e ideologia com o PT.
Diante da pesquisa, os tucanos redobram as críticas ao governo. “O PSDB sempre esteve convencido da culpa. Essa resposta clássica de que eles não sabiam, é para nós uma cortina de fumaça. Ninguém acredita que alguém que administra um país ou uma empresa poderia desconhecer tudo que ocorreu ”, disse o presidente regional do PSDB, Eduardo Jorge.
O partido acha, porém, que um processo de cassação só pode ser deflagrado caso alguma instituição de fiscalização valide o procedeimento.