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Política & Poder

Seis dicas para escolher candidatos com mais critério

Especialistas apontam cuidados para avaliar propostas, histórico, partidos e o sistema eleitoral antes do voto.

Redação Jornal de Brasília

23/09/2026 8h16

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Foto: Agência Brasil

A menos de duas semanas do primeiro turno das eleições, muitos eleitores ainda não definiram em quem vão votar. Em meio a um cenário marcado por menos debate sobre propostas, especialistas ouvidos pela Agência Brasil indicam caminhos para ajudar na escolha de candidatos com mais critério, considerando interesses pessoais, competências de cada cargo, histórico político, alinhamento partidário e o funcionamento do sistema proporcional.

O primeiro passo, segundo os entrevistados, é olhar para si mesmo e para a própria realidade. O professor de Ciência Política da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, João Feres Júnior, afirma que o eleitor precisa identificar quais são seus interesses políticos e econômicos, além de avaliar se os candidatos realmente representam essas prioridades. Ele lembra que interesses nem sempre convergem e que diferentes grupos sociais podem avaliar de forma distinta uma mesma proposta.

Também é essencial compreender o que cada cargo pode ou não fazer. A socióloga Débora Messemberg, professora da Universidade de Brasília, diz que parte dos eleitores tem pouca informação sobre as competências do Legislativo. Segundo ela, deputados e senadores têm poder de aprovar leis, fiscalizar o Executivo e participar do orçamento, mas não executam políticas públicas, como obras e serviços, atribuição que cabe ao Executivo. Por isso, promessas incompatíveis com o cargo devem acender um sinal de alerta.

Outro ponto destacado pelos especialistas é a avaliação do currículo, do histórico e das propostas. O professor Francisco Uribam Xavier de Holanda, da Universidade Federal do Ceará, afirma que analisar campanhas exige tempo e nem sempre é simples, mas é fundamental observar quem financia o candidato, quais partidos compõem sua coligação e se as propostas atacam a raiz dos problemas ou se limitam a discursos genéricos. Ele também recomenda consultar, no sistema do Tribunal Superior Eleitoral, as propostas de governo, a declaração de bens e a prestação de contas com a lista de doadores.

Além das trajetórias individuais, o eleitor deve observar o alinhamento partidário. A professora da Universidade Federal do Pará Naiara Sandi de Almeida Alcantara lembra que ninguém atua de forma isolada no sistema político brasileiro e que, no Legislativo, a orientação de bancada pode influenciar o comportamento do parlamentar. Por isso, ela recomenda verificar como o partido vota, quais pautas apoia, sua consistência ideológica e suas alianças em diferentes eleições.

A reportagem também chama atenção para os chamados puxadores de voto. O cientista político Rodrigo Stumpf González, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, explica que, no sistema proporcional, candidatos muito votados podem ajudar a eleger outros nomes da mesma legenda. Ele lembra o caso de Tiririca, que em 2010 obteve mais de 1,35 milhão de votos e contribuiu para eleger correligionários. Por isso, diz, é importante conhecer a nominata do partido e não votar motivado apenas por uma figura de grande visibilidade.

No dia da votação, os eleitores também precisam observar regras práticas. O primeiro turno deste ano será em 4 de outubro, e cerca de 158,7 milhões de eleitores aptos devem ir às urnas. É permitido levar uma colinha com nomes e números dos candidatos, mas o celular deve ficar fora da cabine, assim como máquinas fotográficas, filmadoras ou qualquer equipamento que registre o voto. A manifestação individual e silenciosa, com broches, adesivos, camisetas ou bandeiras, é permitida; já a manifestação coletiva ou ruidosa é proibida.

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