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Política & Poder

Salas onde funcionam a administração são alugadas informalmente

Arquivo Geral

23/01/2015 7h00

Além dos problemas do lixo não recolhido, das crescentes invasões e da falta de servidores, os sete administradores interinos que estiveram à frente das 31 regiões durante 20 dias identificaram problemas graves nas regionais. No Jardim Botânico, por exemplo, as salas usadas pela administração estão  alugadas sem contrato formal desde o ano passado.

Eduardo Rodrigues da Silva, provisório no cargo de administrador no início do mandato, disse que o problema foi identificado, mas o gestor definitivo deve  resolver a questão do contrato de locação que não foi formalizado. “Está sem contrato desde abril ou maio do ano passado. Mas os pagamentos dos aluguéis de R$ 14 mil mensais eram feitos”, explicou.

O espaço — que fica dentro do único shopping da cidade — estava vazio na tarde de ontem. Mal o relógio marcou quatro da tarde e apenas dois vigilantes foram encontrados. Mesmo em greve, eles disseram que lá estavam para guardar o armamento. Os servidores, afirmaram, foram quase todos exonerados no início do ano. E os poucos que restaram aproveitaram a greve dos vigilantes que atendem aos órgãos do GDF para não irem ao trabalho ontem.

Os próprios moradores do Jardim Botânico têm dificuldade em apontar onde funciona a administração. 

Tanto que, dentro do shopping, é difícil localizar o espaço que seria voltado para o atendimento ao público da região. Um adesivo minúsculo identifica que ali é a sede da administração, com um  slogan, em letras maiores:  “Jardim Botânico, minha feliz cidade”.

Para se ambientar

Ainda hoje, o administrador recém-nomeado,  Aldenir Chaves Paraguassú, disse que deve se reunir com os servidores do Jardim Botânico. 

Anunciado na terça e nomeado na quarta-feira, ontem ele se apresentou à equipe técnica da Administração Regional do  Lago Sul,  que também está sob seu guarda-chuva. Ele informou, por intermédio de sua assessoria, que, neste encontro, deve se inteirar da situação.

Coleção de “ingratas surpresas”

O vice-governador Renato Santana, que coordenou o grupo de interinos que assumiu as 31 administrações regionais nos primeiros 20 dias de governo, chama de “ingratas surpresas” os problemas identificados nas administrações. “Algumas informações chegaram na transição com distorções  e outras nem chegaram”, disse ele, para exemplificar que só foi possível identificar a “cena real” das cidades quando foram para a rua. 

Lixo, mato alto, buracos nas pistas e invasões de terra pública, segundo ele, foram as situações mais recorrentes identificadas pelos interinos. “São problemas comuns às administrações. Umas têm mais e outras menos, mas em todas tem”.

Habite-se

Processos e condutas suspeitas na emissão de Habite-se foram identificados nas administrações. Há investigações em curso para apurar, por exemplo, o sumiço de selos guardados em cofre, que serviam para autenticar os alvarás emitidos pelas administrações. 

Em Ceilândia, o vice-governador contou que uma certidão de Habite-se foi emitida no feriado do dia 1º de janeiro. O processo que deu origem ao alvará não foi encontrado.

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