MARINA COSTA
FOLHAPRESS
O empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula (PT), é alvo de três inquéritos da Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência. O ministro André Mendonça é relator de duas investigações, e Flávio Dino acompanha outra no STF (Supremo Tribunal Federal).
O caso Lulinha foi amplificado pela divulgação de mensagens da empresária Roberta Luchsinger. Ela é investigada pela Operação Sem Desconto, que apura fraudes envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
FÁBIO LUÍS LULA DA SILVA
Fruto do casamento de Lula com Marisa Letícia (1950-2017), é um dos cinco filhos do presidente e ficou conhecido no debate público como Lulinha, embora não tenha esse apelido na vida pessoal.
A PF abriu três frentes de investigação contra o empresário por suspeitas de que ele atuou no governo federal para favorecer empresas com Roberta Luchsinger. Uma delas seria a World Cannabis, ligada ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
Lulinha foi citado nas investigações da Sem Desconto sob suspeita de ser sócio oculto do Careca do INSS e teve seus sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados com autorização do STF a pedido da PF, mas não é um dos indiciados no caso.
Antes, também foi investigado em desdobramento da Operação Lava Jato, apuração que não chegou a se tornar um processo judicial contra ele.
ROBERTA LUCHSINGER
Neta de Peter Luchsinger, ex-acionista do banco Credit Suisse, é alvo da Operação Sem Desconto e esteve no centro da apuração sobre o vínculo entre Lulinha e o Careca do INSS.
A empresária disse à PF que apresentou Fábio a Antunes antes da deflagração da operação. À Folha de S.Paulo, afirmou que não os colocou em contato com intuito de negócio e que é “criminalizada, julgada e ameaçada de todas as formas por ser amiga do filho do presidente Lula”.
Segundo a PF, Luchsinger dizia representar o filho de Lula, utilizando a expressão “Eu sou o Fábio”, e queria obter 20% de remuneração sobre um projeto de venda de medicamentos à base de canabidiol para o Ministério da Saúde. Ela enviou a minuta de um contrato a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Lula.
MARCO AURÉLIO SANTANA RIBEIRO
Foi um dos assessores mais próximos de Lula e deixou o cargo de chefe de gabinete do presidente para atuar na coordenação da campanha à reeleição. Ele cuidaria da agenda do petista como candidato, mas deixou a equipe após a repercussão da revelação de que ele recebeu R$ 249 mil de Roberta Luchsinger.
A defesa de Marcola, como o ex-assessor é conhecido, afirmou que os valores recebidos, inclusive as joias compradas pela empresária, são referentes a um empréstimo feito e já quitado por ele.
Nesta sexta (21), a Folha de S.Paulo mostrou que, de acordo com investigação da PF, Luchsinger pagou faturas de cartão de crédito, financiamento de um veículo, consórcio e outras despesas de Marcola. Os pagamentos ocorreram em 2024, mesmo período em que, segundo a PF, a lobista trabalhava para obter contratos com o Ministério da Saúde relacionados a cannabis medicinal.
Ribeiro confirmou que recebeu de Luchsinger a minuta de um contrato para venda de remédios à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, mas diz que não repassou o documento a nenhum integrante do governo.
Procurados sobre o detalhamento dos pagamentos feitos pela lobista, os advogados de Marcola afirmam que não teve acesso à íntegra dos autos e ao inquérito e que o vazamento dos conteúdos tem “objetivo de distorcer os fatos e interferir no processo eleitoral”.
“Marco Aurélio Santana Ribeiro jamais encaminhou qualquer documento referente a compras ou licitações no âmbito do Ministério da Saúde ou da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os valores mencionados na reportagem foram todos integralmente quitados, uma vez que são referentes a um empréstimo pessoal”, diz a defesa, em nota.
ANTÔNIO CARLOS CAMILO ANTUNES
Lobista conhecido como Careca do INSS e apontado pela Operação Sem Desconto como principal operador do esquema bilionário de fraudes e descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. Está preso desde setembro de 2025.
Em junho, pediu transferência de cela no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, sob a justificativa de que está em condições precárias, de que o espaço permanece com iluminação artificial ligada ininterruptamente e de que teria sofrido pressão de policiais penais por uma delação premiada.
A defesa de Lulinha admite que o Careca do INSS pagou as despesas de uma viagem a Portugal, mas afirma que o filho do presidente aceitou o convite para conhecer a produção de medicamentos à base de canabidiol e não participou de negociações nem investiu na empresa ligada a Antunes, a World Cannabis. O Ministério da Saúde afirma que nunca teve contrato com a empresa.