Isabel Paz
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Já está decidido: Rogério Rosso (PMDB) não terá espaço num eventual governo de Agnelo Queiroz (PT). As demissões em massa no GDF, que promoveu há algumas semanas, do grupo que apoia a candidatura do petista – cujo vice é Tadeu Filippelli, presidente do PMDB-DF –, sinaliza o rompimento do governador com a liderança de seu próprio partido. Pior: indicaria a proximidade com o principal adversário da coligação Um Novo Caminho, o ex-governador Joaquim Roriz (PSC).
“Nos foi pedido para fazer campanha para o adversário (Roriz). Como não fizemos, fomos exonerados”, disse o ex-secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Wilmar Luís da Silva.
O distanciamento de Filippelli e a tentativa frustrada de concorrer à reeleição, custaram caro para Rosso, que nesses cinco meses à frente do GDF fortaleceu os indícios de ligação com a campanha de Roriz. Segundo fontes do GDF, Rosso estaria utilizando a máquina pública para favorecer o ex-governador.
Depois de perder a possibilidade de participação nas eleições de outubro na convenção peemedebista, coincidência ou não começou o ciclo de demissões no GDF. Quase todos os atingidos foram indicados pela liderança do PMDB-DF. O governo conta com aproximadamente 14 mil cargos comissionados – entre eles as 19 secretarias, as 23 empresas públicas, as cinco fundações e as 30 administrações regionais. Todos os indicados de Filippelli, que somavam 104 pessoas, foram substituídos.
A sugestão de atuar para o grupo rorizista, conforme fontes de dentro do Palácio do Buriti, teria partido do secretário particular de Rosso, Arthur Bernardi – que acompanha o governador 24 horas por dia. Quem no GDF não quisesse aderir à campanha pró-Roriz, tinha em poucos dias o nome publicado no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF). Novos secretários tomaram posse e administradores foram removidos, conforme denunciou Wilmar.
Aliás, a ligação entre Roriz e Rosso é antiga. Antes correligionários peemedebistas, o governador foi secretário de Desenvolvimento Econômico no último governo do hoje candidato do PSC (2003-2006), quando Bernardi estava lotado na mesma secretaria.
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