Francisco Dutra
Especial para o Jornal de Brasília
Com as contas no vermelho, o Buriti articula um pedido de ajuda ao Governo Federal. As negociações estão sendo costuradas pelo deputado federal Rogério Rosso (PSD). Em números gerais, o parlamentar revelou que o GDF planeja conseguir R$ 3,1 bilhões. Para tanto, está sendo organizada, ainda para esta semana, uma reunião entre o governador Rodrigo Rollemberg e a presidente Dilma Rousseff.
Segundo Rosso, o GDF irá pleitear que o Banco de Brasília (BRB) se torne responsável pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste no DF. Hoje estes recursos chegam pelo Banco do Brasil. Se a mudança for aceita, o BRB terá R$ 1,1 bilhão a mais em caixa, podendo ajudar o Buriti e o setor produtivo local.
O GDF também vai propor a atualização dos valores do Fundo Constitucional, que hoje estariam defasados em, aproximadamente, R$ 1,6 bilhão. Na conversa, o Buriti irá expor a necessidade de receber a compensação previdenciária, medida com potencial para trazer R$ 600 milhões para o DF.
A Lei Orçamentária Anual estima que o DF tenha a receita de R$ 30,8 bilhões em 2015. No entanto, segundo o Buriti, somente no primeiro semestre, houve uma frustração superior a R$ 800 milhões. Para cumprir todos os compromissos até o final do ano, o GDF argumenta que precisa arrecadar cerca de R$ 1,4 bilhão. Paralelamente, o governo ainda necessita de R$ 1,5 bilhão para pagar dívidas.
Oposição formal
Localmente, o PT é oposição ao GDF, mas costuma votar frequentemente a favor do GDF na Câmara Legislativa. No plano local, Rollemberg luta para imprimir uma agenda positiva, assegurando os salários dos servidores descolando a imagem do GDF do estigma da inércia.
Ofensiva para vitaminar a bancada
O GDF começou uma ofensiva para reconstruir a base aliada na Câmara Legislativa. Ontem, o governador Rodrigo Rollemberg reuniu-se com cinco distritais. Depois de um primeiro semestre conturbado, o Buriti precisará mais do que palavras para solidificar uma base confiável. Liliane Roriz (PRTB), por exemplo, está a poucos passos de abandonar a frente governista.
“Não me sinto base quando sou recebida pelo grupo do governador. Sou bem recebida por ele”, desabafou. Ontem pela manhã, Liliane foi recebida pelo governador no Buriti e levou representantes da construção civil do DF. O grupo conversou por 1h30min sobre os graves problemas vividos pelo setor diretamente atingido pela crise do GDF.
Só com atos concretos
Pelo discurso da deputada, a conversa foi positiva. Mas depois de tantos tropeços do Buriti, Liliane considera que apenas atos concretos podem garantir sua permanência na base. A lista incluiu a manutenção dos programas sociais, melhoria da gestão da Saúde, construção de novos hospitais, aprimoramentos no sistema de transporte público e ajuda ao setor produtivo.
Aconselhado por seu pai, o ex-governador Joaquim Roriz, a deputada estipulou um prazo para que o governo mostre serviço. “Entre agosto e setembro. É um bom deadline”, afirmou. Extraoficialmente, comenta-se que outros três parlamentares também estão pensando seriamente na possibilidade de deixar a base do Buriti. Mesmo desejando uma frente governista enxuta, a gestão Rollemberg ainda não conseguiu equacionar relações estáveis com deputados distritais.