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Rodrigo Maia diz que Paes beneficia candidato de Bolsonaro no RJ

O tucano também comentou as dificuldades para a terceira via se viabilizar eleitoralmente. Para ele, falta clareza

Por FolhaPress 27/06/2022 6h46
Foto: Câmara dos Deputados

Italo Nogueira
Rio de Janeiro, RJ

O presidente do PSDB-RJ, Rodrigo Maia, afirmou que a insistência do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), em manter a pré-candidatura de Felipe Santa Cruz (PSD) ao governo estadual beneficia a reeleição de Cláudio Castro (PL), nome do presidente Jair Bolsonaro na disputa.

Maia também defendeu a provável aliança do PSDB com o deputado federal Marcelo Freixo (PSB) durante o Brazil Forum UK, em Oxford, na Inglaterra. O pai do secretário de Projetos e Ações Especiais de São Paulo, o vereador César Maia (PSDB-RJ), é cotado para assumir a vice na chapa.

“Se a candidatura do Felipe for viável, ótimo. Mas, nesse momento, tudo que ela tem de voto, ela só tira do Marcelo e não tira do Cláudio. Então é uma candidatura que está a serviço do governador. Querendo ele ou não, é isso que está acontecendo”, afirmou Maia no domingo (26).

A fala do tucano expõe, de forma velada, comentários feitos nos bastidores da política fluminense, de que Paes deseja a reeleição de Castro sem se vincular à sua candidatura. O prefeito estaria de olho na eleição ao governo de 2026, na qual o governador não poderia tentar nova reeleição pelas leis eleitorais.

Paes vem resistindo a uma aliança com Freixo. Ele também esfriou um acordo firmado em fevereiro com o PDT, por decidir manter a pré-candidatura de Santa Cruz em vez de apoiar o ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves (PDT), atualmente mais bem colocado nas pesquisas eleitorais.

Maia afirmou que o ex-presidente da OAB poderia ser uma opção caso apresentasse viabilidade eleitoral. Na última pesquisa do Datafolha, divulgada em abril, ele aparece com 3%. Freixo e Castro lideram com 22% e 18%, respectivamente, no cenário mais provável.

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“O Felipe está fazendo comerciais. Quem sabe na pesquisa do Datafolha que vai sair no final do mês se ele não aparece numa situação melhor e a gente fala: ‘Pode ser um caminho que jogue o Freixo mais para a esquerda, na origem dele, e a gente consiga ocupar'”, disse o tucano.

Santa Cruz afirmou que acredita ser o único a poder impedir a reeleição de Cláudio Castro.

“Queremos o apoio do PSDB e vamos demonstrar ao deputado Rodrigo Maia que a nossa campanha é a única capaz de impedir a reeleição de Claudio Castro. Aliás, todos sabem que o Palácio Guanabara busca polarizar com Freixo para reeditar o segundo turno de 2016, em que Crivella se elegeu para a infelicidade do povo carioca”, disse o pré-candidato do PSD.

Maia explicou a aliança com Freixo como uma forma de quebrar um ciclo, segundo ele, iniciado em 1998 com a eleição de Anthony Garotinho (hoje na União Brasil) ao governo estadual.

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“Nós temos um ciclo no Rio de Janeiro que vem desde 1998 com Garotinho, que é esse ciclo que estamos vendo. Como rompe com esse ciclo? César Maia tentou em 1998 e não conseguiu. Eduardo Paes tentou em 2018 e não conseguiu. O governador Wilson [Witzel] que parecia ser uma renovação, era mais desse ciclo do que todos nós imaginávamos”, disse ele.

“Não é questão de quero, gosto, admiro todas as ideias do deputado Marcelo Freixo. Mas ele é um bom cara do diálogo. Está tentando caminhar para ampliar a base dele. Ele sabe que, na base dele, tem muita dificuldade de ganhar a eleição.”

Maia não explicou de que forma caracterizaria esse ciclo, cujo período inclui Rosinha Garotinho (2003-2006), Sérgio Cabral (2007-2014) e Luiz Fernando Pezão (2014-2018). Ele mencionou a atuação de milícias no estado como um dos pontos a serem atacados.

“Eu não posso olhar o meu estado onde as milícias estão tomando conta das instituições todas. Como muda esse ciclo no Rio de Janeiro? Todo mundo que ganhou dinheiro e investiu no Rio saiu. Só ficou petróleo e serviço público. Não sobrou muita coisa no Rio de Janeiro por questões óbvias. Como reorganiza? Precisa primeiro quebrar esse ciclo que começa em 1998”, afirmou ele.

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Secretário da gestão do governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), pré-candidato à reeleição, Maia diferenciou o cenário eleitoral fluminense do paulista.

“Diferente de São Paulo, onde tem um governador que está fora da polarização, então tem um espaço para que ele organize o processo eleitoral, no Rio, o governador é do bolsonarismo. Então só vai ter uma outra oportunidade aqui que é a vaga do Freixo. Por isso acho que essas alianças são possíveis.”

O tucano também comentou as dificuldades para a terceira via se viabilizar eleitoralmente. Para ele, falta clareza em relação ao projeto que ela busca representar.

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“Lula tem 15% dos votos que é nosso [da centro-direita]. A nossa chance era empurrar o Bolsonaro para a extrema direita e entrar nesse eleitor com um projeto. O que ainda falta para a Simone [Tebet], faltou para o Doria, e falta para todos nós, é compreender o que nós somos e o que queremos representar para o futuro. Porque não ser Lula nem Bolsonaro, não é nada. Só isso é pouco”, afirmou ele.

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“Temos que ajudar nesse debate com a Simone a propor algo, mesmo que a gente não vá para o segundo turno, para que o presidente Lula possa agregar nossas propostas.”








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