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Política & Poder

Retrospectiva 2018: prisão de Lula e Aécio virar réu foram destaques de abril

Arquivo Geral

27/12/2018 7h00

Atualizada 26/12/2018 21h01

REUTERS/Paulo Whitaker

Moro emite ordem para prender Lula

Juiz determinou prazo até 17h do dia 6 de abril para o petista se apresentar à Polícia Federal, em Curitiba

O TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) enviou na tarde dessa quinta-feira (5) ofício ao juiz Sergio Moro que autoriza a prisão do ex-presidente Lula. O magistrado mandou o petista se apresentar à Polícia Federal em Curitiba até as 17h da sexta-feira, 6 de abril.

Em seu despacho, Moro afirmou que está “vedada a utilização de algemas em qualquer hipótese”. O magistrado determinou que os detalhes da apresentação voluntária deverão ser combinados pela defesa do petista diretamente com o delegado Maurício Valeixo, superintendente da PF no Paraná.

No documento, o juiz informou que foi preparada uma sala reservada para o início do cumprimento da pena do ex-presidente, “em razão da dignidade do cargo ocupado”.

Na Superintendência

Segundo Moro, é uma espécie de sala de Estado Maior, na própria superintendência da Polícia Federal, “na qual o ex-presidente ficará separado dos demais presos, sem qualquer risco para a integridade moral ou física”. No final do ano, Lula ainda permanecia nessas instalações.

Moro disse também que concede a Lula a oportunidade de se apresentar voluntariamente “em atenção à dignidade” do cargo que ele ocupou.

Além do despacho para prender Lula, o juiz determinou também o cumprimento da pena de José Adelmário Pinheiro Filho da OAS, e Agenor Franklin Magalhães Medeiros, ex-executivo da construtora. Os dois, condenados com ele no caso do triplex, já estão presos na PF em Curitiba, sede da Lava Jato.

Em sua decisão, Mor criticou ainda a possibilidade do uso de recursos judiciais para adiar o cumprimento da pena. “Hipotéticos embargos de declaração constituem apenas uma patologia protelatória e que deveria ser eliminada do mundo jurídico”, afirmou.

Ele ainda acrescentou que não cabem mais recursos com efeitos suspensivos junto ao TRF-4. O comunicado do tribunal informa que como o julgamento dos embargos apresentados por Lula no dia 26 não modificou a condenação do mesmo, o cumprimento de pena deve ser iniciado.


Lula cai nas intenções de voto, mas PT mantém chapa

Integrantes da executiva nacional do PT, presidida pela senadora Gleisi Hoffmann, reafirmaram a candidatura ao Planalto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a divulgação, neste domingo (15), de pesquisa Datafolha sobre as eleições presidenciais.

O levantamento nacional mostrou que Lula aparece com até 31% das intenções de voto. Em janeiro, nos cenários com menos pré-candidatos, o ex-presidente aparecia com 37%. Os petistas criticaram a metodologia, mas consideram positivo o resultado de Lula, que lidera nos três cenários em que aparece.

Paulo Pimenta, líder do PT na Câmara, reforça que Lula será inscrito na eleição presidencial no dia 15 de agosto. “Não vamos ter um plano B. Vamos eleger o Lula em primeiro turno”, afirmou.


Aécio vira réu por corrupção

Os ministros da primeira turma do STF (Supremo Tribunal Federal) votaram no dia 17 por receber a denúncia da Procuradoria Geral da República contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG), acusado de corrupção passiva e obstrução da Justiça. Os ministros incluíram ainda outros três denunciados.

Com a decisão, Aécio torna-se réu em ação penal no Supremo pela primeira vez, por causa do episódio em que foi gravado, em março do ano passado, pedindo R$ 2 milhões a Joesley Batista, da JBS. O valor foi entregue em parcelas a pessoas próximas ao tucano, segundo a acusação. A Polícia Federal chegou a filmar a entrega de dinheiro vivo a um primo dele.

Aécio nega a prática de crimes e diz que o dinheiro era um empréstimo pedido a Joesley. Além dele, também tornam-se réus, mas por corrupção passiva, a irmã, o primo e um assessor aliado do tucano.

Lula Marques/Agência PT


Palocci começa a contar tudo

O ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci iniciou depoimentos em que promete revelar detalhes dos esquemas de corrupção dos quais partcipou durante os governos petistas de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, entre 2003 e 2015, aos investigadores da Polícia Federal, em Curitiba.

Fontes na PF confirmaram que a colaboração premiada do ex-ministro foi aprovada. O político procurou a corporação após sua negociação com o Minstério Público não avançar. PF e MPF travam uma disputa no Supremo Tribunal Federal sobre quem pode assinar acordos de colaboração e sobre o modelo a ser usado.

Ainda não se tem notícia da abrangência do conteúdo da delação. Um dos temas a serem explicados pelo ministro são as contratações por grandes empresas de sua consultoria, a Projeto, suspeita de ser usada para recebimento de valores provenientes de corrupção.

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