A oposição se benze. Teme bruxarias e armações de adversários. Foi a campanha do PT que entrou na berlinda por conta do chamado "dossi ê Serra", order try mas é a turma do candidato Geraldo Alckmin (PSDB) que faz o sinal da cruz com medo de feitiços e arapongagens.
Nesta reta final da disputa, diagnosis um alerta vermelho foi acionado e até os filhos do ex-governador foram aconselhados a tomar cuidado com espiões de plantão. A oposição explica: não basta estar atento somente ao que o inimigo pode reservar, é preciso ficar de olho e evitar qualquer deslize que atraia a atenção de notícias ruins e obrigue o candidato a entrar numa agenda negativa a poucas horas do "dia D". Thomas, Geraldo e Sofia, os três filhos de Alckmin, entraram no rol de preocupações. A ordem é não se expor. Não sair da linha e não fazer "coisas erradas", define um interlocutor do presidenciável.
Uma conversa nesta semana com a cúpula da campanha pressionou o botão de alerta a ponto até de eventuais novos ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) terem sido cogitados. Exagero, dizem outros aliados. "Todo cuidado é pouco. Em alguns casos, estamos tratando com bandidos", disse o senador José Jorge (PFL-PE), que tem o lugar de vice na chapa PFL-PSDB.
A Polícia Federal tranqüiliza paranóicos e garante: não há no horizonte próximo nenhuma sublevação criminosa em curso que possa prejudicar o ex-governador do Estado, normalmente o primeiro a ser responsabilizado nas ondas de ataques. Durante a corrida eleitoral, ele enfrentou quatro ondas de ataques do PCC que deixaram São Paulo sob terror. Todas elas com efeitos negativos a sua candidatura.
"Nós não acreditamos que vá ocorrer qualquer incidente. Não foi detectado nenhum alarme do PCC", disse Lázaro Moreira Silva, chefe da divisão de assuntos sociais e políticos da PF e coordenador da segurança de dignatários. Isso não significa, porém, que a segurança pessoal do tucano não tenha de ser redobrada nesses últimos dias.
"Faremos o reforço. Alckmin é o candidato que requer maior cuidado não só por ter sido governador de São Paulo e por haver problema com o PCC, mas também porque a candidatura dele é grande e tem mais visibilidade", acrescentou.
Todo postulante à Presidência da República tem direito à segurança exclusiva da PF. Nesta eleição, no entanto, apenas Alckmin e José Maria Eymael (PSDC) requisitaram o serviço. Lula, por ser presidente, já tem a proteção garantida do Palácio do Planalto. "Nós usamos nosso serviço de inteligência para evitar surpresas. Analisamos tudo, por onde o candidato vai passar, qual o grau de risco da localidade visitada.
Fazemos o levantamento do perigo em determinados locais e reforçamos o efetivo se houver necessidade. Se Alckmin vai fazer campanha em São Paulo, a gente redobra", resumiu Moreira Silva. PSDB e PFL sustentam que a atenção com o imprevisível está longe de ser delírio ou mania de perseguição. Membros do PT se envolveram numa operação de compra de um dossiê para atingir Alckmin e José Serra, candidato ao governo paulista. Tucanos e pefelistas temem que algo assim poderia voltar a ocorrer.
"Nós não vamos dar pretexto para aquele discurso de petista de que somos todos iguais", disse o senador Sérgio Guerra (PE), um dos coordenadores da campanha tucana. Ninguém duvida que as "bruxas" da política rondem o imaginário de uma campanha, mas é a proximidade da decisão que deixa os competidores de orelha em pé.