IGOR GIELOW
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
A pauta da reforma do Supremo Tribunal Federal tem apoio majoritário entre os brasileiros. Para 59%, os ministros deveriam ter mandato, enquanto 65% querem o fim de decisões monocráticas para assuntos importantes e 52% defendem julgamentos de pessoas com foro especial em instâncias inferiores.
É o que aponta pesquisa do Datafolha realizada nos dias 13 e 14 de outubro com 2.520 eleitores de 153 cidades. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.
Desde que Jair Bolsonaro assumiu o poder em 2018, as críticas à cúpula do Judiciário ganharam o peso de uma pauta política sistemática. Hoje preso por tentativa de golpe de Estado após ter perdido a eleição para Lula (PT) em 2022, o ex-presidente manteve um choque constante com alas do STF.
Seu foco principal sempre foi Alexandre de Moraes, que já presidia o inquérito das fake news, tornado instrumento do combate às intentonas antidemocráticas do período bolsonarista -e, depois, alvo de críticas por excessos e sua duração.
A atual crise no Supremo, devido ao envolvimento de Moraes e outros ministros com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, contaminou boa parte do primeiro turno da campanha presidencial. A sessão que iria julgar a abertura de investigação do ministro, marcada por trocas de acusações inauditas na corte, está suspensa.
A grande quantidade de bolsonaristas eleitos para o Senado, Casa onde ministros do Supremo podem ser impedidos, levou o tema do impeachment deles e de outras mudanças no funcionamento do tribunal à ordem do dia.
O primogênito de Bolsonaro, o senador fluminense Flávio (PL), que disputa o segundo turno desta eleição com o presidente em condição de empate técnico, já anunciou que, se eleito, tentará promover as reformas por meio de mudanças na Constituição.
Mesmo Lula, que alimentou uma aliança tática com a corte como forma de se contrapor a um Congresso hostil neste terceiro mandato, mudou o tom sobre o tema. Em entrevista na quinta (15), defendeu reformas no Supremo.
Quando se compara o eleitorado de ambos, só há diferença notável quando o tema é o mandato dos ministros.
Neste caso, 65% de quem apoia Flávio querem a mudança, ante 54% entre os lulistas. Hoje, um ministro entra com no mínimo 35 anos, mas só se aposenta aos 75.
Nos dois outros itens, o apoio dos eleitores dos rivais se equivale dentro da margem de erro, em linha com a média da pesquisa.
Consideram que as decisões monocráticas, aquelas que os magistrados tomam sozinhos, deveriam ser avaliadas pelo plenário em casos importantes 64% dos bolsonaristas e 66% dos lulistas.
Já a ida dos casos envolvendo pessoas com o foro na corte para instâncias inferiores da Justiça é apoiada por 54% dos eleitores do senador, ante 51% entre quem declara voto em Lula.
Hoje o Supremo julga o presidente e o vice, ministros do governo, deputados federais, senadores, comandantes das Forças Armadas, chefes de missões diplomáticas, os próprios magistrados da corte e o procurador-geral da República.
O levantamento do instituto foi encomendado pela Folha e está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o código BR-00466/2026.