A reforma administrativa do Governo do Distrito Federal não atingiu parte das metas prometidas pelo governador Rodrigo Rollemberg, em especial nos gastos com pessoal. O corte de 60% dos comissionados não foi alcançado. A máquina publica começou 2015 com 8.635 cargos de confiança e entrou 2016 tendo 4.640 postos de indicação. Mesmo assim, a redução atingiu a marca de 53,7%.
A simbólica redução de 20% dos salários do governador, vice-governador, secretários e administradores regionais não se completou. Assim, o primeiro escalão começou o novo ano com 100% dos rendimentos na conta bancária.
O Buriti também previa enxugamento das administrações regionais, criticadas há anos por não atender às necessidades da população. Só que o corte dependia do aval dos deputados distritais. Sem receptividade no Legislativo, o Buriti retirou o projeto.
Onde o corte funciona
No conjunto do orçamento, porém, a política de arrocho do governo rendeu resultados. O governo economizou R$ 1 bilhão nas despesas correntes. A tesoura palaciana cortou 97% dos gastos com viagens, hospedagens e festividades. A despesa com consultoria jurídica foi reduzida em 84%. O governo também conseguiu uma economia global entre 80% a 90% com alimentação, combustível e transportes.
Dentro da reforma, o Buriti reduziu o total de secretarias de 38 para 17, adotando estratégias de extinções e fusões de pastas. A principal justificativa de Rollemberg para a reforma administrativa foi a grave crise financeira do DF. Conforme cálculos palacianos, o governo amargou em 2015 um rombo de R$ 6,5 bilhões.
Resultado foi superior ao que a União obteve
Apesar de não atingir as metas, o Buriti avalia positivamente o desempenho da reestruturação administrativa. O Governo Federal também anunciou uma reforma em 2015. Na comparação com Dilma Rousseff, Rollemberg conseguiu resultados numéricos muito mais contundentes.
Dilma prometeu reduzir 3 mil cargos comissionados, mas cortou somente 346. O Governo Federal garantiu a redução de 30 secretarias ligadas a ministérios. No entanto apenas sete foram extintas. As promessas incluiam uma economia de R$ 200 milhões e até agora o Planalto poupou meros R$ 16,1 milhões. Os salários da presidente, vice e ministros também seriam reduzidos. Não foram.
“Fizemos um esforço brutal para resgatar o DF, que caminhava para a inviabilidade econômica. Estamos próximos de atingir a redução de 60% dos comissionados e vamos atingi-la até o final dos quatro anos de governo”, comentou o secretário da Casa Civil, Sérgio Sampaio.
Segundo Sampaio, mais de 70% do novo quadro de comissionados é composto por servidores públicos concursados do DF. Em face da problemática conjuntura da economia nacional, o governo promete continuar com a política de austeridade financeira em 2016.
Em relação à redução dos salários do primeiro escalão, Sampaio argumentou que o projeto continua na Câmara à espera da avaliação dos distritais. “Quem define a pauta é a Câmara”, afirmou. Sobre as administrações regionais, Sampaio explicou que o governo está ponderando entre os ganhos econômicos da medida e os riscos da perda da qualidade dos serviços públicos.