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Política & Poder

"Eu não tenho o direito de errar", diz Frejat

Arquivo Geral

25/10/2014 9h00

Eduardo Brito, Marina Cardozo e Millena Lopes

redacao@jornaldebrasilia.com.br

Único candidato ao Governo do Distrito Federal a comparecer à sabatina organizada pelo Jornal de Brasília, na tarde de ontem, Jofran Frejat (PR) respondeu às perguntas dos jornalistas,  leitores e internautas. O senador Rodrigo Rollemberg (PSB) alegou agenda cheia para faltar. Na conversa que durou 40 minutos e está disponível na íntegra do site do jornal (www.jornaldebrasilia.com.br), o candidato do PR criticou a politização do sistema de saúde e  da Agefis. Reafirmou sua ideia de extinguir o órgão e de ampliar o metrô. Defendeu a viabilidade da redução da tarifa de ônibus para R$ 1 e criticou o adversário que disse, durante um debate,  que ele estaria no fim da vida. Ressaltou sua experiência para governar o DF  e disse que não tem mais o direito de errar. “Vou coroar minha vida pública com um trabalho bom para Brasília”, prometeu.    

Se eleito, o senhor acha necessário acumular a Secretaria de Saúde para dar um jeito no sistema que aí está?

Não. Já fui secretário quatro vezes. Eu montei esse sistema de saúde de Brasília. Construí os postos de saúde, criei o agente de saúde,  construí hospitais, o Hemocentro e assim por diante. Eu coroei com a criação da faculdade de medicina. Brasília cresceu muito e esse crescimento não foi acompanhado pela área da saúde. Depois que saí da secretaria, há mais de 12 anos, apenas um hospital foi construído, o de Santa Maria. Politizaram a área da saúde e isso compromete gravemente o sistema. O importante é você ter políticas de saúde e não política na saúde. Não podemos nos afastar  do serviço técnico.

Como o senhor pretende resolver a carência de médicos no DF?

Os médicos estão desmotivados. Eles não têm mais interesse em servir. O serviço público virou um bico. É preciso estimular o profissional a ter um ambiente de trabalho bom, que ele possa publicar trabalhos, que ele possa ampliar sua capacidade de fazer ciência. 

Se a promessa da passagem de ônibus a R$ 1 não é uma proposta eleitoreira, por que  demorou tanto a torná-la pública?

Por que só agora eu sou o candidato. No ano passado, houve aquele  movimento nacional pedindo a liberação do pagamento da passagem. E aquilo ficou na minha cabeça. Quando assumi a candidatura, recebi uma correspondência de uma pessoa sugerindo a tarifa zero. Pedi a especialistas para que analisassem a proposta e eles disseram que  havia recursos  para isso. Fizemos os cálculos e verificamos que a tarifa a R$ 1 era possível, que o dinheiro poderia sair do IPVA.

O senhor pensa em baixar o valor da passagem do metrô também?

Hoje, 180 mil pessoas usam o metrô diariamente. Não poderia ser irresponsável, inconsequente, em diminuir a passagem do metrô também. Futuramente, se houver possibilidade, podemos chegar à tarifa zero. Mas agora não dá. 

O dinheiro do IPVA não está comprometido com outras coisas?

Uma unidade da Federação que bancou um estádio de R$ 2 bilhões dizer que não pode tirar R$ 15 milhões por mês para subsidiar a passagem parece brincadeira. Parte do dinheiro do IPVA é usado para a educação e a saúde, chega a uns R$ 300 milhões. Quase R$ 500 milhões são utilizados para manter secretarias  e gente nos cabides de emprego.

Considerando que o  preço da passagem não é o único problema, quais suas propostas para o transporte público?

Isso é um segundo passo. Vamos resolver o problema do Gama, da EPTG e da EPNB, onde o trânsito é travado, ampliar as linhas do metrô, aumentar uma pista do Torto para Sobradinho. Você tem que integrar o sistema de transporte. A coluna vertebral do transporte público nas grandes cidades é o metrô, que nós estamos usando pouco. 

No início da campanha, o senhor disse que tinha sido convencido a ser candidato. No último debate, no entanto,  disse que estava muito  feliz com a candidatura. O que fez o senhor mudar de ideia?

Não mudei de ideia. Quando fui escolhido candidato, eu  me empenhei no trabalho e comecei a pensar que poderia ampliar o que já fiz por Brasília. Parei para pensar que tenho uma oportunidade única. Já disseram que eu estou  velho, quiseram até me matar, mas eu tenho uma coisa fundamental, experiência. Não vou fazer aventura. Vou coroar minha vida pública com um trabalho bom para Brasília. Eu não tenho o direito de errar.

O senhor vai continuar com o programa Morar Bem?

Claro. O governo atual mandou cartas para 100 mil pessoas, mas só conseguiu entregar 10 mil moradias. Ainda tem 90 mil para ser entregues. Pelos nossos cálculos, o número de pessoas sem moradia chega a 126 mil. Não há nenhuma razão para não dar continuidade a tudo aquilo que foi bem feito.

O senhor diz que vai extinguir a Agefis, mas como  pretende coibir as irregularidades?

Analisei que a Agefis hoje é um órgão político. Não vamos acabar com a fiscalização, vamos transferir a responsabilidade para as administrações, que vão analisar as especificidades em cada região.

Tanto sua campanha quanto a do adversário tentaram se desvencilhar da imagem do governador Agnelo Queiroz. E os votos do PT, para quem vão?

Não tenho a menor ideia. Não tenho esse tipo de acordo. Não posso dizer. Agora, se quiserem votar em mim, muito obrigado. Vou ficar muito satisfeito. Mas não fui eu quem começou esse tipo de ataque. Começaram a dizer das minhas companhias, como se eu fosse responsável pelos problemas dos outros. Eu vinculei a imagem do Rollemberg ao Agnelo porque eles se elegeram em conjunto, um pedindo voto para o outro.

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