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Política & Poder

PT defende CPI sobre Master na Câmara para esvaziar comissão mista articulada pela oposição

A bancada do PT se reunirá nesta terça-feira (3) para fechar uma posição oficial

Redação Jornal de Brasília

02/02/2026 16h25

lindbergh farias

Lindbergh Farias, líder do PT na Câmara. Foto: Agência Senado

AUGUSTO TENÓRIO
FOLHAPRESS

A bancada do PT defende a instauração, na Câmara, da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre as fraudes do Banco Master. O requerimento para abertura do colegiado foi apresentado nesta segunda-feira (2) e conta com a assinatura de 42 dos 67 integrantes do partido, incluindo seu líder, o deputado Lindbergh Farias (RJ).

A ala majoritária da bancada do PT elenca motivos para apoiar a CPI. Primeiramente, os petistas entendem que há mais políticos de direita envolvidos no esquema de fraudes, o que poderia emparedar adversários em pleno ano eleitoral.

Outro ponto que agrada a petistas é o enfoque dado pelo autor do requerimento de CPI, Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), para investigar a relação do Master com o BRB (Banco de Brasília). Há expectativa de desgaste para a gestão do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).

Os petistas também avaliam que o governo não pode ficar na defensiva nesse debate. O temor é que a oposição monopolize o assunto. Os entusiastas da comissão defendem usá-la como palco para as ações da Polícia Federal e demais órgãos de investigação.

Por fim, essa ala da bancada entende que abrir uma CPI na Câmara pode esvaziar a abertura da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do Master no Congresso, capitaneada pela oposição. A articulação bolsonarista é comandada pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ).

À reportagem, o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, classificou o pedido de Jordy como “fora de propósito”. O deputado afirmou que a legenda ainda estudará o pedido de CPMI do Master articulado pelas deputadas Fernanda Melchionna (PSol-RS) e Heloísa Helena (Rede-RJ).

A teoria de uma parte da bancada, porém, é que a instauração de uma CPI na Câmara inviabiliza a CPMI no Senado. O cálculo é que não haveria motivo para o Legislativo, em pleno ano eleitoral, se dedicar a dois colegiados sobre o mesmo assunto.

A bancada do PT se reunirá nesta terça-feira (3) para fechar uma posição oficial. Se o clima favorável permanecer, o partido comunicará sua posição ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) na próxima reunião de líderes.

Oficialmente, o Planalto tem dito que não agirá sobre a abertura de CPIs. “O governo sente-se confortável com a apuração da PF. Não vamos atuar para barrar a CPI do Master. Se a Câmara quiser que faça. Tarefa dos Parlamentares”, disse à reportagem o líder do governo na Casa, José Guimarães (PT-CE).

Extraoficialmente, porém, o Planalto se preocupa com o impacto de uma CPI no funcionamento do Legislativo. Uma ala do governo defende foco total na votação de projetos importantes, como a MP (Medida Provisória) do Gás do Povo, o fim da escala 6 x 1, a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública e a tarifa zero para o transporte público.

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