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Política & Poder

PSB coloca saia justa no Buriti

Arquivo Geral

09/03/2016 6h00

Francisco Dutra

francisco.dutra@jornaldebrasilia.com.br

Os passos da direção nacional do PSB rumo à oposição ao governo Dilma colocaram o governo Rollemberg entre a cruz e a espada. Desde começo do mandato, o governador busca uma agenda positiva com o Palácio do Planalto para a captação de recursos para o Distrito Federal.  

Até o final deste mês, a executiva nacional socialista definirá qual será a posição oficial na legenda. A partir de amanhã, a legenda transmitirá pelo rádio e pela TV três inserções publicitárias ácidas contra os governos petistas. 

Uma das peças abordará a mudança de posição de Dilma em relação à CPMF. Mostra falas da própria presidente, primeiro descartando a ressurreição do tributo e depois defendendo o regresso do imposto.

Até Alemanha no jogo

Em outra inserção, o partido faz uma alusão à derrota de 7 a 1  da seleção brasileira para a Alemanha, na Copa de 2014. O partido dirá que o maior adversário do Brasil não é o time alemão, mas sim a incompetência do governo brasileiro. A peça também criticará os recentes casos de corrupção.

A terceira propaganda fará uma crítica aberta contra os 14 anos de governo do PT, abordando também a gestão do ex-presidente Lula. Segundo o partido, o Brasil perdeu na educação, no combate à inflação e na luta contra o desemprego.

Ao final da eleição de 2014, o PSB adotou uma postura de independência crítica, para fugir à polarização entre PT e PSDB. A sigla não se alinhou  com o Planalto, mas não queria ficar embaixo das asas tucanas na oposição. 

Mas no  último semestre, o PSB vem se enervando com as ações do   governo Dilma. Com a operação Lava Jato batendo as portas do Palácio do Planalto, o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, passou a defender a ida para a oposição e a realização de novas eleições para a Presidência.

Na busca de verbas, Rollemberg propõe uma “agenda positiva”

Em silêncio, Rollemberg está escutando as articulações políticas pelo ambiente nacional e ainda não definiu uma posição. Segundo interlocutores, o governador considera que o PSB, qualquer que seja o cenário político,  deveria se pautar em agendas positivas para o Brasil e para o Distrito Federal.

 Assessores do Buriti consideram que o governador manterá o canal de diálogo com o Planalto, mesmo que o PSB parta para a oposição. Afinal, as pontas de lança para qualquer sigla fazer oposição são as figuras dos deputados e senadores. O “X” da questão será como o Planalto se comportará neste novo tabuleiro.

Em busca de R$ 799 milhões em financiamentos federais para o DF, Rollemberg articulou a criação do Fórum Permanente dos Governadores. A iniciativa recebeu a adesão da maior parte dos estados e criou uma ponte  com o Governo Federal. 

Para barrar o  processo de impeachment no Congresso no ano passado e conseguir apoio para o regresso da CPMF, Dilma anunciou que concederia R$ 20 bilhões em  operações de crédito às unidades da Federação e alongaria o prazo para o pagamento de suas dívidas para com a União em 20 anos.

Até dentro do diretório regional do PSB no DF a estratégia de Rollemberg é questionada. Correligionários não acreditam que as boas relações com o Planalto estejam rendendo recursos expressivos para o Buriti. 

Grande parte dos socialistas brasilienses  também se opõe  à recriação da CPMF, nos moldes propostos por Dilma. Conforme comentários, o imposto permitiria apenas salvar o orçamento da União.

Definição rápida

Em conversas sobre a crise nacional, o governador Rodrigo Rollemberg vem dizendo que a situação do Brasil exige saída rápida. Segundo ele, ou se enterra de vez o impeachment ou se coloca o processo para correr no Congresso. Na análise do governador, o País está sangrando com a indefinição e precisa virar está página para voltar a crescer. Na leitura de Rollemberg, Dilma poderia recuperar a credibilidade e a sustentação política caso saísse vitoriosa do processo de impeachment.

Presidente joga duro

1 – A posição defendida pelo presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, é semelhante à defendida por Marina Silva na Rede Sustentabilidade. O discurso da ambientalista também prega a realização de novas eleições.

2 – A Executiva Nacional do PSB ainda não fechou uma posição oficial em relação ao regresso da CPMF.

3 – Da mesma forma como Rollemberg, o governador socialista  da Paraíba, Ricardo Coutinho, também buscava construir uma agenda positiva com o Planalto.

4 – As inserções do PSB irão ao ar nos dias 10, 12, 15 e 17 de março. No dia 24, a legenda exibirá um bloco de 10 minutos.

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