Da Redação
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O Ministério Público deverá receber, nesta semana, “elementos de prova” que mostram que os acessos ilegais aos dados sigilosos da Receita Federal, de contribuintes que incluem parlamentares do PSDB, teriam sido encomendados por “agentes intermediários externos mediante pagamento de propina”. A afirmação foi feita pelo corregedor-geral da Receita, Antônio Carlos Costa D’Ávila Carvalho. “Os indícios são de um suposto balcão de compra e venda de informações”, disse.
Segundo ele, a hipótese é que houve um esquema de compra e venda de informações de natureza fiscal. Ao todo, foram realizados, segundo denúncias, mais de 140 acessos a dados de contribuintes, incluindo os do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge. A Receita não confirmou se todos foram acessos motivados ou não a partir de três computadores.
O vazamento ocorreu na agência de Mauá, subordinada à Delegacia de Santo André, na Grande São Paulo. Até o momento, duas servidoras, uma técnica do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e uma analista tributária da Receita, estão sendo investigadas, inclusive pela Polícia Federal (PF).
Segundo o secretário da Receita, Otacílio Cartaxo, o vazamento causou preocupação ao órgão responsável. “Este fato não só nos deixa extremamente constrangidos, como instituição, mas também traumatizados. Foi um fato que nos alcançou de surpresa”, disse
Cartaxo também afirmou que a Receita, a corregedoria do órgão e a PF estão dedicando os melhores esforços para solucionar o caso e punir ““exemplarmente” os culpados pelas infrações administrativa e penal. As conclusões do inquérito, porém, não devem ser concluídas até o primeiro turno das eleições devido aos trâmites legais do processo, na avaliação do corregedor. “Não estamos preocupados com o calendário eleitoral. Nós fizemos o trabalho com a maior celeridade possível porque era interesse da corregedoria, da Receita e da sociedade. Fizemos duas sindicâncias e dois processos disciplinares em dez dias”, disse.
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