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Presidente de ONG relata ameaças após evento do TSE e deixa o Brasil

Na carta, ele afirma estar em “grave e iminente risco” e que vem recebendo ameaças em razão de sua atuação profissional e acadêmica

Por FolhaPress 07/12/2021 8h25
Foto: Agência Brasil

PAULA SOPRANA
SÃO PAULO, SP

O presidente da organização de direitos humanos na internet SaferNet Brasil, Thiago Tavares, assinou uma carta nesta segunda-feira (6) dizendo estar em “exílio voluntário” na Alemanha após sofrer ameaças de morte depois de participar de um evento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre campanhas de ódio e desinformação.

A carta foi destinada a funcionários e instituições parcerias da associação. A reportagem teve acesso ao documento e confirmou a autoria. Na carta, ele afirma estar em “grave e iminente risco” e que vem recebendo ameaças em razão de sua atuação profissional e acadêmica.

Tavares participou no dia 26 de outubro de uma discussão sobre campanhas de ódio no 2º Seminário Internacional do TSE. No evento, ele abordou temas como interferência eleitoral, neonazismo e ideologia supremacista branca no Brasil. A Polícia Federal e o Ministério Público foram notificados do caso. Tavares chegou à Alemanha no último sábado (4).

O presidente da SaferNet Brasil é reconhecido por sua atuação no campo de direitos humanos e tecnologia. Participa com frequência de eventos sobre eleições ou regulação de internet. “O exílio voluntário é um direito fundamental reconhecido internacionalmente e garantido a alguns indivíduos que, sentindo-se ameaçados ou vítimas de perseguição política, racial ou religiosa, podem buscar exílio por iniciativa própria em outros países”, diz a carta, na qual ele cita episódios que teriam reforçado sua decisão de sair do país.

Segundo Tavares, em 22 de novembro, um funcionário da SaferNet Brasil foi vítima de um sequestro relâmpago em Salvador, onde fica a sede da associação, por quatro criminosos armados, que levaram celular e laptop. O crime também teria teor LGBTFóbico. Tavares estava a 800 metros do local.

Na quinta (2), a SaferNet identificou hacking no laptop funcional de Tavares por meio do malware Pegasus, que vem sendo utilizado para perseguir ativistas e defensores de direitos humanos. Tavares disse ter decidido ficar fora do país até que “as circunstâncias dos fatos sejam totalmente esclarecidas”.

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