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Política & Poder

Prefeito acusa a própria mãe por ‘golpe do investimento’ usando seu nome para jogar no tigrinho

Por meio de sua defesa, Adriana nega enfaticamente os ilícitos que o filho lhe atribui

Redação Jornal de Brasília

06/01/2026 19h45

thiago lunguinho (1)

Foto: Reprodução/Instagram

São Paulo, 06 – O prefeito Thiago Lunguinho (União Brasil), do município de Nossa Senhora do Livramento, em Mato Grosso, habituado a entreveros com rivais do universo político, atravessa uma etapa inusitada de sua vida. Gestor de uma cidadezinha de 13 mil habitantes, situada nas imediações de Cuiabá, dr. Thiago, como o chamam por aqui dada a sua profissão de médico, foi à Polícia para registrar uma denúncia surpreendente e de impacto nas ruas do Livramento: ele acusa a própria mãe, Adriana Nunes Lunguinho de Almeida, de 52 anos, de aplicar ‘golpes do investimento financeiro’ usando seu nome, seu cargo e seu prestígio na localidade.

Por meio de sua defesa, Adriana nega enfaticamente os ilícitos que o filho lhe atribui. “É absolutamente falsa a narrativa de que a sra. Adriana teria oferecido investimentos, prometendo rendimentos, alegado participação em empresas contratadas pelo poder público ou utilizado o nome e o cargo de seu filho para obtenção de vantagens financeiras. Nenhum documento, contrato, registro bancário ou ato formal existe que sustente tais afirmações.”

O dinheiro supostamente amealhado por Adriana pela via da fraude supera o meio milhão de reais, estima o prefeito. “Minha mãe usou (o dinheiro) para jogar no tigrinho”, ele afirma. “Já tentei internar (Adriana) várias vezes em uma clínica de reabilitação devido à dependência patológica de jogos de azar! Mas não consegui.”

Segundo o dr. Thiago, criado desde os cinco anos pelos avós paternos, sua mãe teria se aproximado de diversas pessoas oferecendo supostos investimentos e negócios com promessas de ‘alta lucratividade’, usando o cargo dele no cume da administração municipal como forma de ‘ganhar credibilidade’ e confiança das vítimas.

A investigação, instaurada em novembro pela polícia a partir de uma queixa formal do prefeito na ocasião em que descobriu ser vítima da própria genitora, mostra que o esquema teria perdurado por um período de quase um ano.

Inicialmente, ela pedia valores menores e cumpria o que prometia, ‘fortalecendo a confiança’. Depois, passou a levantar quantias maiores, sempre mencionando que o prefeito ‘respaldava suas negociações’ – o que, segundo Thiago, decididamente nunca ocorreu. O número de vítimas já chega a 22, diz o prefeito.

De acordo com as acusações levadas à Delegacia de Estelionato, encarregada da apuração que pode levar a mãe do prefeito às barras da Justiça, Adriana teria utilizado folhas de cheque do filho, com assinaturas falsificadas, além de supostamente produzir montagens de conversas de WhatsApp para convencer terceiros a investir.

Mesmo após cobranças, denúncias e tentativas de intervenção, o prefeito constatou que Adriana teria continuado na trilha dos golpes, usando os mesmos argumentos e ainda citando seu nome.

Diante da incômoda situação, o prefeito informou que pretendia pedir internação compulsória da mãe para evitar novos prejuízos. Após perceber essa intenção do filho, Adriana teria fugido e, posteriormente, registrou queixa contra ele.

Para escapar de cobranças cada vez mais incisivas, ela teria bloqueado quase todos os contatos, mantendo apenas alguns, nos quais publica status ‘demonstrando vida normal, ignorando a repercussão do caso’, segundo relata dr. Thiago.

Àqueles que convenceu a fazer negócios, ela nunca mais respondeu, acusa o prefeito. A polícia trabalha com a suspeita de que Adriana possa estar sendo ‘protegida’ por aliados.

Dr. Thiago garante que apresentou à Polícia provas que demonstram que não participou de nenhuma negociação realizada pela mãe. Segundo ele, foram entregues extratos, documentos, prints e informações que o afastam da cena do crime e demonstram seu total desconhecimento das transações.

Sua boa fé, alega, ficou ‘evidente’ ante o fato de ele próprio levar o caso às autoridades policiais.

O coletivo de vítimas, 22 por enquanto, segundo o prefeito, já procurou o delegado para registrar boletim de ocorrência isentando Thiago de qualquer envolvimento. “Sou tão vítima quanto todos eles”, afirma.

Se diz indignado com a conduta da própria mãe. Pede Justiça. “(Adriana) tem que ser responsabilizada por seu comportamento. Minha mãe fez muitas vítimas que acreditaram em suas promessas e viram sonhos destruídos.”

COM A PALAVRA, DR. THIAGO

Em outubro do ano passado fui surpreendido ao descobrir que minha própria mãe, a sra Adriana Nunes Lunguinho de Almeida, aplicava golpes usando meu nome e meu cargo de prefeito. Em novembro procurei a Polícia.

Tudo começou quando os possíveis investidores começaram a me procurar alegando que minha mãe ofereceu alta lucratividade. Ela disse que detinha participações em empresas contratadas legalmente no âmbito da minha administração municipal, sempre respaldada pela minha imagem de prefeito.

De início ela levantava quantidades menores de dinheiro para criar confiança, cumpria os compromissos e logo após conseguia valores maiores. O fato é que eu desconhecia totalmente essas atitudes dela. Quando a procurei para questionar ela confessou que fez tudo isso porque é viciada em jogos de azar.

Eu fui criado pelos meus avós paternos, mas percebi uma maior proximidade dela comigo após eu adentrar na vida pública.

Descobri também que ela falsificou minhas assinaturas em folhas de cheque dando como garantia nos negócios e fez montagens em conversas de WhatsApp para convencer as pessoas.

O fato é que ao descobrir, eu mesmo levei o caso para conhecimento da polícia e mostrei todos os documentos, prints e extratos que provam minha inocência. Junto a isso já somam mais de 22 vítimas que registraram boletim de ocorrência contra ela, todos vítimas do mesmo golpe. Isso afastou qualquer suspeita sobre a minha conduta com relação a transações financeiras.

Deixo registrado que confio no trabalho da polícia e reafirmo que sou vítima, tanto como as outras 22 pessoas.

Sou filho e isso me dói profundamente ao descobrir que minha própria genitora fez isso comigo usando da minha imagem e do meu cargo que conquistei com muito trabalho e dedicação ao povo de Livramento.

Embora isso me faça sofrer sempre serei a favor daquilo que é correto e sob hipótese alguma permitiria tais golpes, mesmo sendo minha mãe fazendo isso com pessoas inocentes e honestas que viram em suas propostas uma possibilidade de melhorar de vida.

Fui diplomado e eleito para o mandato 2025-2028 junto com o vice-prefeito Danilo de Almeida Monteiro. Sou médico de formação e natural de Várzea Grande (MT). Antes de assumir a prefeitura, atuei como profissional de saúde no município, principalmente na atenção básica, o que contribuiu para a minha relação com a população local. Fui vice-prefeito ao lado do ex-prefeito Silmar de Souza de 2020- 2024.

O dinheiro desviado era aplicado em plataformas de jogos de azar Não estive com minha mãe depois de ter enviado o caso à polícia Se a encontrasse novamente eu tentaria buscar uma explicação para o motivo de ela ter feito isso com seu próprio filho.

COM A PALAVRA, A DEFESA DA MÃE DO PREFEITO

Os advogados Thiago C. Silva e Walter Enoré, que representam Adriana Nunes, divulgaram nota em que rechaçam com veemência as acusações à mãe do prefeito Thiago Lunguinho.

A defesa da sra. Adriana Nunes vem a público repudiar de forma categórica e inequívoca as acusações que lhe foram atribuídas, as quais a apontam, sem qualquer prova, como suposta autora de práticas ilícitas. É absolutamente falsa a narrativa de que a sra. Adriana teria oferecido investimentos, prometendo rendimentos, alegado participação em empresas contratadas pelo poder público ou utilizado o nome e o cargo de seu filho para obtenção de vantagens financeiras.

Nenhum documento, contrato, registro bancário ou ato formal existe que sustente tais afirmações.

As acusações divulgadas baseiam-se exclusivamente em declarações unilaterais, sem respaldo fático ou jurídico, e representam grave ataque à honra, à reputação e à dignidade da sra. Adriana, além de configurarem tentativa de antecipação de culpa à margem do devido processo legal.

A sra. Adriana jamais exerceu qualquer atividade de captação de recursos ou intermediação de investimentos, tampouco manteve relação com contratos públicos ou empresas vinculadas à administração municipal.

A simples repetição de acusações não as transforma em verdade. Ressalte-se que a apuração de fatos compete às autoridades competentes, e não ao tribunal da opinião pública. A exposição prematura e sensacionalista de alegações não comprovadas viola frontalmente a presunção de inocência, princípio basilar do Estado Democrático de Direito.

A sra. Adriana está inteiramente à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e confia plenamente que a verdade será demonstrada, com o consequente afastamento de qualquer imputação indevida.

Por fim, a defesa informa que todas as medidas jurídicas cabíveis já estão sendo avaliadas, inclusive nas esferas cível e criminal, para responsabilização de eventuais excessos, distorções ou divulgações de informações inverídicas que atentem contra sua honra e imagem.

Estadão Conteúdo

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