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Política & Poder

PL enfrenta queixas com reviravolta no Paraná, surpresa em Roraima e bolsonaristas rifados de chapas

Na autorização de prisão domiciliar temporária concedida ao ex-presidente pelo Supremo Tribunal Federal (STF) consta o veto a visitas, com exceções

Redação Jornal de Brasília

07/04/2026 6h28

Foto: Sergio Lima/AFP

Amigos e aliados próximos ao ex-presidente Jair Bolsonaro vem intensificando as críticas nos bastidores à cúpula do Partido Liberal (PL) na medida em que membros do grupo são preteridos nas articulações eleitorais importantes pelo País.

Uma das razões da insatisfação, segundo essas pessoas, está no impedimento de Bolsonaro em se comunicar com aliados. Na autorização de prisão domiciliar temporária concedida ao ex-presidente pelo Supremo Tribunal Federal (STF) consta o veto a visitas, com exceção de familiares, médicos e advogados.

Como o Estadão mostrou, o plano do PL para a montagem de chapas eleitorais nos Estados conta com acordos pragmáticos em detrimento do apoio a políticos leais ao bolsonarismo. Entre as exceções estão as pré-candidaturas de Michelle (DF) e Carlos Bolsonaro (SC), que atropelaram acordos locais.

A crise no PL do Paraná com a filiação do senador Sergio Moro (antes no União Brasil) para concorrer ao governo estadual e a reviravolta vista em Roraima, com a fracassada tentativa de Hélio Lopes disputar o Senado, alimentam o clima de insatisfação.

Nomes como o advogado Fabio Wajngarten e os deputados federais Marcos Pollon (MS), Gilson Machado (PE) e Carlos Jordy (RJ), além do próprio Lopes, são mencionados como pessoas que foram abandonadas pelas costuras do PL enquanto Bolsonaro segue preso e afastado das articulações.

“As indicações que foram feitas desagradaram a todos. Eu tenho muito respeito à liderança do presidente Valdemar. O partido cresceu muito graças a Bolsonaro. A gente não pode perder a essência desses valores. A gente fica chateado porque esse cenário não agrada à maioria da militância em si, mas não quero atrapalhar o projeto”, afirmou Jordy, que tinha planos para o Senado.

A situação de Pollon, líder do movimento armamentista Proarmas, continua delicada mesmo após ter Bolsonaro ao seu lado — a ex-primeira-dama Michelle divulgou uma carta no mês passado em que o marido manifesta apoio à candidatura de Pollon ao Senado por Mato Grosso do Sul.

Mas a raia da direita está congestionada. Isso porque o ex-governador Reinaldo Azambuja, presidente do PL em Mato Grosso do Sul, o deputado federal Capitão Contar (PL) e a vice-prefeita em Dourados, Gianni Nogueira (PL), mantêm suas pré-candidaturas ao mesmo posto. Críticos do presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, queixam-se que os dirigentes deveriam levar em consideração o apoio de Bolsonaro para tomar a decisão.

No Paraná, o deputado federal e então presidente do PL estadual, Fernando Giacobo, pediu desfiliação da sigla com a chegada de Moro. Ele alegou que a jogada rompe um acordo feito pelos bolsonaristas para apoiar o sucessor do governador Ratinho Júnior (PSD) no Estado, em troca do apoio ao deputado federal Filipe Barros (PL) ao Senado e que, “por coerência”, preferiu deixar o partido.

Dois dias após a filiação de Moro, Giacobo reuniu 48 dos 53 prefeitos do PL num pronunciamento com críticas ao senador. O parlamentar se filiou ao PSD e agora tenta arrastar consigo os mandatários — nove dos 48 se desfiliaram do PL desde a semana passada, segundo ele.

Moro nega que tenha havido uma debandada e diz que o PL paranaense “mais do que dobrou de tamanho na janela partidária” com a sua chegada ao partido. “Agora temos um senador (este que vos escreve), quatro deputados federais (eram dois) e doze deputados estaduais (eram cinco)”, escreveu nas redes sociais.

Dois amigos próximos de Bolsonaro tiveram derrotas por razões distintas. Ex-ministro do Turismo do governo Bolsonaro, Gilson Machado trocou o PL pelo Podemos após não ter autorização de sua legenda para disputar o governo de Pernambuco. Já Hélio Lopes pode ficar sem disputar eleições neste ano por um movimento atrapalhado.

Natural do Rio, o deputado transferiu seu domicílio eleitoral para Roraima a fim de disputar o Senado pelo Estado, mas o diretório local afirma ter sido pego de surpresa pela decisão. A sigla já tinha preparado a pré-candidatura de Arthur Henrique, prefeito de Boa Vista que deixou o cargo na semana passada para disputar as eleições, e diz não ter espaço para Lopes.

Para fazer nova transferência é preciso esperar um ano, então Lopes não poderá recuar de seu plano até 2027. Um dirigente estadual afirmou ao Estadão que as chances de o deputado se reeleger no Rio caíram com a prisão de Bolsonaro, uma vez que ele fiava sua campanha na presença do ex-presidente. Lopes não retornou os contatos da reportagem.

No Ceará, a vontade de Michelle Bolsonaro e outros bolsonaristas próximos ao ex-presidente foi escanteada com a articulação que deve gerar apoio do PL a Ciro Gomes (PSDB) na disputa pelo governo estadual.

No ano passado, Michelle deu uma bronca nas lideranças locais ao criticar a negociação para apoiar Ciro, argumentando que o ex-presidenciável passara muitos anos criticando Bolsonaro.

O desejo dela era apoiar o senador Eduardo Girão (Novo), que vem pautando seu mandato em pautas conservadoras e embate com o STF. O PL, entretanto, bateu o martelo dias atrás pelo apoio a Ciro em detrimento de Girão.

Estadão Conteúdo

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