A Procuradoria-Geral da República (PGR) negou nesta sexta-feira (9) que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, tenha prestado depoimento oral durante as negociações para um acordo de delação premiada. Em nota, o órgão afirmou que as tratativas ocorreram exclusivamente por meio de advogados contratados pelo investigado e que não houve contato direto entre Vorcaro e representantes da instituição.
Segundo a PGR, todas as propostas formalizadas pela defesa foram recebidas sem avaliações ou recusas prévias. O órgão também declarou que respeita o sigilo legal dos procedimentos de colaboração premiada.
A manifestação foi divulgada após a revista Veja publicar uma reportagem sobre um áudio e documentos atribuídos a Vorcaro. Segundo a publicação, o ex-banqueiro teria relatado a liberação de recursos para a produção de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O suposto esquema envolveria o credenciamento do Banco Master junto aos fundos de pensão do Banco do Brasil, da Caixa Asset e da Previ.
Segundo a CNN, um integrante da PGR afirmou que o áudio atribuído a Vorcaro não foi encaminhado à equipe responsável pelas negociações de delação premiada. Há suspeitas de que a gravação tenha sido feita após o fracasso das tratativas.
A PGR rejeitou a proposta de delação de Vorcaro em junho, depois que a Polícia Federal (PF) recusou duas versões apresentadas pelos advogados do ex-banqueiro. Segundo o comunicado da Procuradoria, a rejeição da proposta impediu a realização de depoimento oral, e os motivos da decisão foram apresentados à defesa.
A instituição não comentou o conteúdo específico do áudio divulgado pela imprensa e reiterou que as negociações de colaboração premiada estão submetidas ao sigilo previsto em lei.