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Política & Poder

PF vasculha ligações do Planalto atrás de pistas no caso dossiê

Arquivo Geral

24/10/2006 0h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seus ministros apostam que a "legitimidade das urnas" vai neutralizar a carga de acusações contra o governo, buy buy levando a uma aproximação com a oposição, website ou pelo menos parte dela.

O governador eleito da Bahia, Jaques Wagner, conselheiro próximo do presidente, diz que no próximo domingo acaba a fase do confronto.

"A partir daí não acho que haja clima para se manter essa teia de intrigas que vem se mantendo há um ano e meio. Quando passar a eleição, não há mais justificativa para ficar no jogo do tudo ou nada. A vida é outra, a democracia é outra", disse o petista, que conta com o apoio de políticos que, segundo ele, têm "responsabilidade" com país, como os governadores eleitos.

Só falta combinar com a oposição. Até agora, os partidos oposicionistas, leia-se PSDB e PFL, prometem manter o desgaste do governo, caso este seja eleito, mas não descartam dar apoio a projetos no Congresso que sejam relevantes para o país, como o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica).

Temem a acusação de querer "implodir o país" por conta da disputa política. Mas deixam claro: "negociar alguns projetos não é construir pontes de governabilidade".

Setores do tucanato tendem a aceitar que governadores da legenda eleitos ou reeleitos neste ano construam uma "relação institucional" com o Planalto, de interlocução para aprovar agendas comuns que necessitem de maioria no Parlamento.

Apesar de evitarem comentários abertos sobre o tema às vésperas da eleição, há grupos, mesmo ligados à campanha de Geraldo Alckmin à Presidência, que não fecham portas ao diálogo completamente.

"Não há acordo com quem movimenta o crime, mas não quero dizer que todos os petistas estão envolvidos nisso (com corrupção), o que seria uma grande injustiça. Há petistas patriotas, o PT teve uma grande história", disse o senador Sergio Guerra (PSDB-PE), coordenador-geral da campanha de Alckmin.

Ele foi secretário de Miguel Arraes (PSB) no governo de Pernambuco e afirmou ter votado em Lula em três eleições.

Os dois políticos que estariam mais credenciados a esse canal de diálogo são os governadores eleitos José Serra (SP) e Aécio Neves (MG). Já o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso trilha caminho oposto, apesar de ter dito que o partido "não sabotará o país", o que deixa mais uma fresta aberta.

Outros oposicionista do PSDB, como o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), sequer consideram essa possibilidade. Ele prevê um "cenário nervoso" se Lula vencer a eleição. Também deverá estar fora de conversas pela governabilidade o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL), ferido politicamente após sua derrota eleitoral na Bahia.

"Cenário nervoso" significa não só tensionar a relação política, mas levar a cabo ações judiciais que vinculam diretamente Lula ao caso do dossiê.

Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil, foi ainda mais direta que Wagner sobre a aproximação com o PSDB, considerando o partido como uma esfera política dividida.

"Você tem oposições e oposições. Acho que tem uma parte do PSDB que tem todo o interesse em manter uma estabilidade ou uma relação respeitosa, e essa postura eu só posso cumprimentar", afirmou a ministra.

Em relação às suspeitas que pairam sobre o governo, o discurso de Lula e equipe é de que têm o comprometimento com a investigação. "Não tenho medo de apurar", diz o presidente com freqüência.

A Polícia Federal analisa 380 mil ligações telefônicas efetuadas e recebidas pela Presidência da República entre os dias 1 e 15 de setembro, side effects na tentativa de identificar possíveis envolvidos na negociação do dossiê com informações contra candidatos do PSDB.

A análise dos extratos telefônicos dos principais suspeitos de envolvimento na tentativa de aquisição de documentos apontou uma grande quantidade de ligações recebidas e efetuadas de telefones instalados em órgãos públicos em Brasília, adiposity dentre eles, page o Palácio do Planalto, conforme revelou um delegado que investiga o caso.

Até agora, entretanto, a investigação sobre o material não apontou indícios relevantes que indiquem o envolvimento de servidores desses órgãos na frustrada negociação dos documentos. Em levantamento semelhante feito sobre dados telefônicos dos principais suspeitos, a PF encontrou contatos do ex-analista de risco e mídia da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Jorge Lorenzetti, com o escritório do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e com o chefe de gabinete de Lula, Gilberto de Carvalho. Ambos negam qualquer envolvimento no caso.

SIGILOS

Segundo a mesma fonte, desde o início da investigação, a PF já vasculhou mais de 56 mil números de telefones na tentativa de localizar os responsáveis pelos cerca de 1,7 milhão de reais, apreendidos com duas pessoas ligadas ao PT em São Paulo, que seriam usados na compra do dossiê.

Na atual fase da investigação, a PF tenta concentrar sua apuração sobre os dados obtidos nas quebras de sigilos bancários concedidos pela Justiça. Até agora, mais de 43,7 mil contas bancárias estão sendo alvo da análise dos agentes federais, além de 311 mil contratos de compra e venda de dólares e 1,5 milhão de transações financeiras, que incluem saques, depósitos e transferências de valores entre pessoas físicas e jurídicas.

LARANJAS

Nesta tarde, a PF ouviu um dos supostos “laranjas” que teriam participado da operação para a aquisição dos 248,8 mil dólares que seriam usados como parte do pagamento pelos documentos contra tucanos. A testemunha, que não teve seu nome revelado, negou ter participado de qualquer transação financeira que envolvesse valores em moedas estrangeiras.

Segundo o informante, ele integra a família de pessoas humildes, residentes no subúrbio do Rio de Janeiro, que teriam sido usadas na aquisição do montante em moeda americana junto à Vicatur Câmbio e Turismo Ltda. A empresa que está sob a investigação da PF, funciona em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

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