A Polícia Federal deflagrou a Operação Res Capta, com objetivo de desarticular esquema de corrupção envolvendo fazendeiros, liderança indígena e servidores da FUNAI, que realizavam arrendamentos ilegais na Terra Indígena Xavante Marãiwatsédé para desenvolvimento de atividade pecuária. A operação desta quinta-feira (17) ainda visa combater também a degradação ambiental na terra indígena causada pela criação de gado.
Foram cumpridos três mandados de prisão, sete mandados de busca e apreensão e sequestro de bens, duas ordens judiciais de afastamento de cargo público, duas ordens judiciais de restrição ao porte de arma de fogo e outras 15 medidas cautelares diversas da prisão nas cidades de Ribeirão Cascalheira e Barra do Garças, no Mato Grosso.
Durante a investigação, foi constatado que servidores da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) em Ribeirão Cascalheira estariam cobrando valores de grandes fazendeiros da região para direcionar e intermediar arrendamentos no interior da Terra Indígena Xavante Marãiwatsédé. Os 15 arrendamentos estariam gerando repasses de aproximadamente R$ 900 mil por mês à liderança indígena Xavante.
Exames periciais apontaram extenso dano ambiental provocado por queimadas para formação de pastagem, desmatamento e implantação de estruturas voltadas à atividade agropecuária. Os peritos federais estimaram o valor para reparação do dano ambiental em mais de R$ 58 milhões.
A Justiça Federal ainda consignou que os fazendeiros que estão arrendando terras no Interior da Reserva Indígena Marãiwatsédé devem desocupar a área e retirar de lá todo o gado, estimado em aproximadamente 70 mil cabeças, no prazo de 45 dias, sob pena de prisão.
A tradução literal da palavra em latim Res Capta é coisa tomada.