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PF diz a Moraes ver tendência de migração de bolsonaristas para rede social criada por ex-assessor de Trump

Miller, ex-assessor de Donald Trump e fundador da Gettr, e Brant são ativistas da direita americana e têm proximidade com a família Bolsonaro

Por FolhaPress 08/10/2021 8h00
Foto: Divulgação

Camila Mattoso
BRASÍLIA, DF

A Polícia Federal justificou ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que era necessário tomar depoimento de Jason Miller e Gerald Brant por existir uma tendência de que canais bolsonaristas possam migrar para rede social de direita Gettr, criada como alternativa às plataformas convencionais após suspensão de contas de Donald Trump.

Miller, ex-assessor de Donald Trump e fundador da Gettr, e Brant são ativistas da direita americana e têm proximidade com a família Bolsonaro. Os dois foram abordados pela PF no dia 7 de setembro quando embarcavam para os EUA após participação na conferência conservadora Cpac, em Brasília, organizada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

A viagem ao Brasil, diz a PF, teve como objetivo alavancar o uso da plataforma no país. Segundo a PF, a Gettr tem como proposta de atuação “a restrição aos mecanismos de controle exercidos pelo Estado, quando as ideias ali difundidas alcançam o limite da legalidade, na linha que separa a liberdade de expressão de um discurso radicalizado e a prática de crimes de ódio”.

Os depoimentos dos dois, afirmou a PF a Moraes, não eram uma medida na esfera criminal, mas tinham como finalidade “auxiliar o Estado a atuar, caso e se necessário, diante de uma natural tendência de migração” de canais bolsonaristas para a Gettr.

“O cenário descrito pela autoridade policial é absolutamente relevante ao objeto desta investigação, se relacionando de forma intrínseca com o funcionamento da organização criminosa investigada, que depende de plataformas que permitam a divulgação de conteúdo sem as restrições que têm sido implementadas pelas redes tradicionais (Facebook, Instagram, Twitter, YouTube)”, decidiu Moraes.

Outro argumento levado a Moraes pelos investigadores foi a proximidade entre Miller e Brant com Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump. “Indica a Polícia Federal que tanto Jason Miller, como Gerald Brant, possuem ligações com Steve Bannon, mencionado anteriormente, e pessoa apontada como uma das responsáveis pelo modelo de propaganda lastreado em fake news utilizado em eleições”, diz trecho da decisão de Moraes que autorizou as oitivas.

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Como mostrou a coluna Painel, da Folha de S.Paulo a PF suspeita que a rede de apoiadores de Jair Bolsonaro envolvida na difusão de desinformação sobre as urnas eletrônicas se vale de uma estratégia de comunicação utilizada nas eleições de 2016 nos EUA e creditada a Bannon.








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