CONSTANÇA REZENDE
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
A Polícia Federal apresentou um relatório detalhado sobre o estágio das investigações do caso Master, em reunião com o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), nesta segunda-feira (23).
O encontro, que durou cerca de duas horas, ocorreu no gabinete do ministro e contou com a presença de delegados da PF responsáveis pelas apurações.
Segundo informações da assessoria do STF, a reunião também serviu para a apresentação da lista dos processos da Operação Compliance Zero, que mirou suspeitos de envolvimento em fraudes realizadas pelo Banco Master por meio do uso de fundos de investimento.
Ainda segundo o tribunal, houve uma exposição de desdobramentos correlatos que tramitam na Corte sob a relatoria do ministro.
A reunião teve como objetivo preparar o ministro sobre futuras decisões e para os próximos passos que devem ser tomados pelos investigadores.
Mendonça já havia se reunido com delegados no último dia 13. O objetivo na ocasião era ficar a par da apuração, antes de tomar medidas em relação ao caso.
Ele assumiu a relatoria dos inquéritos do Master após o ministro Dias Toffoli deixar a função, envolto em uma série de decisões polêmicas e a revelação de ligações do magistrado com pessoas interessadas no caso, como Daniel Vorcaro, dono do banco.
Em decisão recente sobre o caso Master, Mendonça ampliou a autonomia da PF e restaurou o fluxo normal de perícias, revendo uma determinação anterior de Toffoli que havia designado apenas quatro peritos para acessar os materiais apreendidos.
Entre esses itens, está o celular de Vorcaro. Ele também reduziu o grau do sigilo do inquérito na corte.
Mendonça também determinou o retorno de informações obtidas com as quebras de sigilos bancário, fiscal e telemático de Vorcaro à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do INSS.
O material, no entanto, ainda está na Polícia Federal, sem previsão de envio ao grupo, disseram integrantes do grupo, nesta segunda-feira (23).
Os documentos foram levados da presidência do Senado à PF, onde estavam, antes de voltar para a comissão. O relator da CPI, o deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL), criticou o trâmite, que chamou de “filtro”.
“A Polícia Federal esteve no Senado e pegou os dados, que não têm data para chegar à CPI, o que acho um absurdo. A CPI é uma instância constitucional, legítima para investigação. Não tem que ter filtro de quem quer que seja”, afirmou.
A assessoria de imprensa da PF afirmou não ter informações sobre o prazo de envio das informações.