A Polícia Federal apontou a negociação de honorários de R$ 2 milhões e a tentativa de intervenção do deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) em um processo no Supremo Tribunal Federal.
Os indícios constam de relatório que fundamentou mandados cumpridos nesta segunda-feira (14) contra o parlamentar e a esposa dele, a advogada Valéria Linhares. A decisão foi tornada pública pelo ministro Flávio Dino.
A apuração baseia-se em mensagens trocadas entre Linhares e Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, sobre a Reclamação 81.608. O processo tramita em favor de Denis de Souza Macedo, ex-secretário de Educação de Belford Roxo (RJ) preso em 2025 sob acusação de desviar R$ 112 milhões da área educacional.
Segundo os investigadores, as conversas tratavam de honorários de R$ 1 milhão por êxito na ação e de um aditivo de R$ 2 milhões caso Macedo fosse solto. Após a advogada relatar dificuldades para agendar reunião com o relator do caso, ministro Kassio Nunes Marques, Cezinha de Madureira se prontificou a atuar pessoalmente no gabinete.
Os registros foram encontrados no telefone de Tuca, recolhido em 2025 durante apuração sobre desvio de emendas parlamentares. Ela exerceu funções na presidência da Câmara dos Deputados nas gestões de Arthur Lira (PP-AL) e Hugo Motta (Republicanos-PB).
A defesa de Cezinha de Madureira afirmou que nenhuma irregularidade foi praticada e que o parlamentar prestará esclarecimentos à Justiça. As defesas de Valéria Linhares e de Mariângela Fialek não haviam se manifestado.