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Política & Poder

Pela primeira vez, Rollemberg chama a bancada

Arquivo Geral

03/11/2015 6h00

Francisco Dutra

francisco.dutra@jornaldebrasilia.com.br

O governador Rodrigo Rollemberg busca pela primeira vez uma reunião com a bancada do Distrito Federal no Congresso. Desde a semana passada, Rollemberg articula a conversa, marcada para a manhã de hoje no Palácio do Buriti. 

A crise entre o Executivo e os servidores, cujo ápice foi o confronto entre a Polícia Militar e os professores, na quarta-feira passada, será um dos destaques do encontro.

Colaborar, sob condições

“O momento é de união em prol da população. As eleições estão muito distantes, os graves problemas do DF estão evidenciados e devem ser resolvidos com a ajuda de todos, portanto qualquer divergência política precisa ficar em segundo plano”, avaliou o deputado federal e presidente regional do PSD, Rogério Rosso.

Do ponto de vista de Rosso, a bancada nutre a intenção de colaborar com o governo, mas é necessário que Rollemberg estreite o dialogo com os parlamentares no Congresso. “Há um desprezo do governador para com a bancada no Congresso”, criticou a deputada federal Érika Kokay, do PT.

A deputada recordou que em 2012 o então senador Rollemberg participou de iniciativa da bancada para ajudar a negociar e superar uma greve de professores. Para Érika, o governador não está guardando coerência com sua própria história e com suas ações.

“Ele (Rollemberg) foi coordenador da bancada e foi importante para a resolução da greve. Agora lamentamos ao ver que ele descumpre  muita coisa que ajudou a definir no passado”, explicou Kokay. 

Na bancada é consenso que houve exagero por parte de   professores ao fechar as vias e de membros da Polícia Militar que teriam se excedido. Mas, para a maioria dos parlamentares federais, a raiz da agressividade no  confronto foi a falta de habilidade política do Buriti. 

Na semana passada, a bancada emitiu uma nota exigindo uma retratação   do governo ao  DF, a  identificação responsáveis pelos excessos e  também solicitaram a retomada das negociações com os servidores.

Fraga defende os policiais militares 

“O governo se recusa a conversar. Logo ele  que é de esquerda. Rodrigo Rollemberg é fruto dos sindicatos e das manifestações populares. Não dá para entender”, ponderou o deputado federal Alberto Fraga (DEM) sobre os atritos entre o governo e os servidores. “A PM é o efeito não a causa. O problema é o governo que se recusa a conversar”, completou. 

Nascido politicamente dentro da Segurança Pública, Fraga defendeu a atuação dos policiais na quarta-feira. “ Infelizmente, não tinha outra solução. Se os servidores não tivessem ocupado todas as vias, teriam até o apoio das buzinas dos motoristas”, concluiu.

Para o presidente regional do PSDB e deputado federal Izaci Lucas, a crise com os servidores é reflexo da crescente falta de credibilidade da gestão Rollemberg. “Desde o início do governo os números são contestados pela população”, disse o parlamentar, que compartilha do posicionamento de que Rollemberg recebeu o GDF quebrado.

“O governo quer apenas comunicar as decisões. E não é assim. Um governo precisa convencer deputados, servidores e a população. E  goste o governador ou não, você não governa sem o meio político”, comentou o tucano. De acordo com Izalci, o GDF ficou preso ao discurso da crise e não conseguiu formular alternativas de gestão.

Além do exemplo dos servidores, Izalci apontou a questão do setor produtivo. Descrentes das promessas do Buriti para a desburocratização da economia, empresários começaram a abandonar o DF, a procura de locais  que oferecem segurança jurídica e competitividade.

Ponto de vista

O senador Cristovam Buarque (PDT) telefonou  para  Rollemberg. “Disse que tinha  uma pergunta: como é que ajudo?”, contou Buarque. O governador teria pedido ajuda para  acalmar o PDT.  Mas Cristovam retrucou. A ligação não era para discussões políticas, mas sim para oferecer apoio  no impasse com os servidores e para tirar o governo da paralisia.

“O governo ignora a bancada federal por duas razões. Primeiro, é psicológico. O governador se sente autossuficiente. Segundo, é a bancada distrital que interessa para o dia a dia. Isso mostra que o governo está preso na rotina e não consegue refletir a longo prazo”, analisou. Para Buarque, a bancada poderia evitar o conflito de quarta passada. Segundo o senador, falta ao governo um personagem que busque pautas positivas “Seria como um secretário farol”.  Afinal, “considerando que em 2018 temos eleição. Rollemberg já perdeu um terço de seu governo”, alertou.

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