Fabio Grecchi
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Com a vitória de Agnelo Queiroz, um dos maiores símbolos da vida pública brasileira dá adeus às urnas: Joaquim Roriz. Impossível dizer que está aposentado da política, pois vai passar os quatro próximos anos – e outros tantos, enquanto tiver saúde e vontade – preparando seu candidato ao Governo do Distrito Federal. Mas pode-se considerar que, até pela idade, dificilmente disputará nova eleição. Não pela suposição de que está inelegível por 16 anos, pois a regra eleitoral pode perfeitamente ser alterada antes disto. Mas porque, aos 78 anos, fica complicado enfrentar a corrida pelo voto, maratona que exige muito fisicamente de qualquer postulante.
Roriz sai de cena, mas não deixa o teatro. Passa a ser diretor, função que, por sinal, já vem exercendo desde o momento que renunciou à candidatura ao GDF para entregar a função à mulher, Weslian. Todo o tempo sabia o que estava fazendo: procurou atrelar o nome dela ao dele para viabilizá-la. Conseguiu em parte, pois o Tribunal Superior Eleitoral decidiu manter-lhe a foto na urna eletrônica, quando o eleitor fosse votar em Weslian. A intenção sempre foi essa: fazer o eleitor atirar no que vê para acertar no que não vê. Ele seria o governador, mas ela usaria a cadeira.
Erro de Cálculo
Roriz calculou mal o plano de voo. Tinha a certeza de que a Lei da Ficha Limpa não passaria no Supremo Tribunal Federal. Tentou enganar-se afirmando que a matéria, por ser constitucional, seria rechaçada. Brandiu a Constituição nos comícios, como um pastor exibe a Bíblia ao rebanho. Com o 5 x 5 e o impasse na fatídica madrugada de 27 de agosto, teve de rafazer os cálculos. Concluiu que Weslian seria a melhor saída. Só que era tarde demais. Para piorar, a candidatura da mulher ainda foi contestada pelo Tribunal Regional Eleitoral, cujo sinal verde foi dado em 2 de outubro, 24 horas antes do primeiro turno. Foram muitos os fatores contrários.
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