Após mais de 47 horas de ocupação, os senadores da oposição decidiram, nesta quinta-feira (7/8), desobstruir o plenário principal do Senado Federal. A liberação ocorreu pouco antes da sessão deliberativa marcada pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), e foi resultado de reuniões entre parlamentares do grupo e um encontro direto com o próprio Alcolumbre na noite anterior.
O protesto foi parte de uma articulação conjunta entre deputados e senadores bolsonaristas, que também ocuparam a Câmara dos Deputados. Na Câmara, os trabalhos foram retomados já na noite de quarta-feira (6), mesmo em meio a um ambiente conturbado, com empurra-empurra e tentativas frustradas do presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) de conter a pressão e demonstrar autoridade.
A ocupação no Congresso foi motivada pela tentativa da oposição de forçar a apreciação de três pautas prioritárias para o grupo:
- Anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023;
- Fim do foro privilegiado para autoridades;
- Impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A liberação do plenário também evitou a alternativa cogitada por Alcolumbre de transferir os trabalhos para o “bunker” do Senado, um espaço reservado nas dependências do Prodasen (Secretaria de Tecnologia da Informação), criado durante a pandemia e utilizado para sessões virtuais.
Com o gesto da oposição, o impasse institucional se alivia momentaneamente, mas o grupo ainda promete seguir pressionando pela tramitação das pautas que considera centrais, especialmente após obter sucesso no protocolo do pedido de impeachment de Moraes, que reuniu as 41 assinaturas exigidas. Resta saber se Alcolumbre dará andamento ao pedido — algo politicamente delicado e improvável no curto prazo.