Jorge Eduardo Antunes
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Xereca não fez sucesso nas urnas deste ano. Aliás, os eleitores de Mongaguá, em São Paulo, não puderam enfiar um votinho sequer na urna para ela. Motivo? A candidatura da cearense Antonia Rosangela Pereira da Silva, de 53 anos, foi indeferida às vésperas da eleição, em 28 de setembro, e postulante ao cargo de vereadora pelo Partido Verde ficou a ver navios na cidade do litoral paulista. Seca de votos semelhante à sofrida por Zeni Piroca, uma simpática senhora da cidade gaúcha de Veranópolis nascida com o rombudo sobrenome. Postulando uma vaga pelo distinto PRB, a candidata só teve a adesão de 14 eleitores, interessados em introduzir Zeni Piroca no legislativo municipal.
Nem sempre usar a área genital deu errado nestas eleições, onde houve abuso dos apelidos exóticos. Com a pompa e a circunstância que pede a cidade Realeza (PR), Negão do Peru (PSDB), nome de Clair Guedes, conseguiu 455 votos e uma cadeira na Câmara Municipal. O problema maior nem é o Peru, mas o fato de o Negão não ser exatamente um afrodescendente, embora se declare pardo. Pelo menos o desempenho do Negão do Peru foi mais firme que o da colega de partido Ana Paula Tejano que, com cacofonia e tudo, ficou na rabeira das eleições de Contagem, na Grande Belo Horizonte, com apenas 39 votos.
Deu ruim também para o Sobre Cú (assim mesmo, com acento), nome com o qual o baiano Genildo Alves Muniz tentou sentar na Câmara de Vereadores de Campo Novo de Rondônia (RO), pelo PPS. Com apenas 17 votos, ele não foi tão disputado como costuma ser esta parte da galinha, nos almoços dominicais Brasil afora. Já outro candidato rondoniense, sem usar da sorte, conseguiu virar vereador em Mirante da Serra pelo PRP. Hilton Emerick de Paiva, o Cagado, obteve 375 votos, sendo o terceiro colocado na eleição, um pouco graças ao apelo do deputado federal Lúcio Mosquini (PMDB-RO), que aparecia em um vídeo constrangedor dizendo “Vote certo. Vote Cagado”.
Destino distinto teve Edson Sacramento da Hora, conhecido nas urnas como Hélio Quebra Bunda, do PSDC de Cachoeira (BA). Ele teve zero voto, mesmo concorrendo com Pedro da Brahma, Paulinho da Pinguela, Julio César do Tabuleiro, Luciano do Tabuleiro, Zé Negão, Pastor Papita, Buda de Bobosa, Raimundo da Ambulância, Glória do Povo e outros mais votados.
Perto das eleições, o alagoano Clinio Tacio dos Santos Silva, de 40 anos, desistiu do nome Plínio O Corno nas urnas e adotou Clinio do Francês – será que o Francês traía o pobre Clínio/Plinio? Mas não adiantou muito não. Com 45 votos, o candidato do minúsculo PSL vai ter que amargar mais um ano de frustração no sofá. Não, melhor mesmo é vender o sofá.
Quem também desistiu do apelido exótico foi o baiano Luis Roque Jesus dos Santos, que queria sair nas urnas de Catu (BA) como Bosta Quente. Mas mesmo concorrendo com o verdadeiro nome, não fez sucesso, amealhando apenas 31 votos. Ajudou a eleger Paulo de Cacinho e Denize da Paroquia, deixando as suplências com Jesse do Popular, Osmar do Caminhão e Veveio dos Caçulinhas.
Por sua vez, Rumenique Ferreira da Silva, conhecido também como Rumenique Peitinho de Rola, viu o TRE indeferir seu apelido nas eleições de São Fidelis (RJ). Mas o jovem fidelense foi à luta e cavou 79 votos, insuficientes no entanto para ajudar Joelson Construtor a ser vereador na nominata do PMB.
Por pouco, mas muito pouco mesmo, Iraldice ou Máo Cheirosa quase virou prefeita de Graça-CE. A pedetista teve 48,91% dos votos, sendo superada por Augusto Brito (PC do B). Assim, Maria Iraldice de Alcantara, de 54 anos, deixará de conviver com Popular, Totonho e Bebeto, alguns dos vereadores eleitos na cidade cearense.
Mais sorte teve Ceição Duarte, prefeita eleita pelo DEM em Lucrécia-RN. Ela conseguiu 100% dos votos válidos, igualando a marca do líder norte-coreano Kim Jong-Un – que venceu as eleições unânimes e sem abstenções de 2014. Ceição também era candidata única, e a prefeitura estava garantida, assim como a vaga dos dez postulantes ao cargo de vereador: Robertão, com 531 votos, Edson Soares, 471; Lindalice, 377; Didi Soldado, 320; Joilma, 286; Josimar, 245; Hélio, 240; Bobó, 124; e Edilma Soares, 59.