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Pesquisa reforça percepção de que a polarização política entre Lula e Bolsonaro continua

Foto: Adriano Machado/ Reuters

O último dia deste ano de 2019, o Instituto Paraná publicou uma pesquisa sobre a percepção da sociedade quanto à disputa política que se projeta a partir deste ano até a sucessão do presidente Jair Bolsonaro em 2022. O levantamento reforça que a população novamente parece ter escolhido a manutenção da polarização política, que coloca de um lado Bolsonaro e do outro o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ou seja, no campo político, nada muda com a virada do ano. O UFC político continua. O Brasil continuará no octógono.

O ano de 2020 será de eleições municipais. Uma espécie de prévia do grande embate de 2022. Será o momento em que os candidatos à sucessão presidencial testarão suas forças nas cidades e formarão as suas bases para a disputa. Com chances remotas de conseguir oficializar seu novo partido, o Aliança pelo Brasil, para já disputar as eleições deste ano, como será o comportamento de Bolsonaro no pleito municipal ainda é uma incógnita. Já Lula, seu principal adversário, prepara-se para percorrer o país promovendo ao máximo os candidatos do PT e da esquerda, criando as condições para tentar uma virada daqui a dois anos. Assim, o cenário político segue polarizado entre Bolsonaro e Lula. 2020 começa, mas ainda é 2018 no Brasil. O quadro de radicalização da última eleição presidencial continua.
Entre os dias 14 e 18 de dezembro, o Paraná Pesquisas ouviu 2.222 pessoas em 166 municípios do Distrito Federal e de 26 estados. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais, com índice de confiança de 95%.

Perguntados sobre qual será o principal adversário do presidente Jair Bolsonaro já a partir deste ano até as eleições de 2022, os entrevistados, em sua maioria, não têm dúvidas: cravam o nome de Lula. Essa é a opção marcada por 32% dos entrevistados. Ciro Gomes, do PDT, aparece em segundo lugar, com 15,6%. O governador de São Paulo, João Dória, do PSDB, vem em terceiro, com 11,7%. Depois, o apresentador de TV, Luciano Huck, com 8,3%. O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, do MDB, é lembrado por 3%. E o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, do DEM, por 1,9%.

Sergio Moro

A pesquisa do Instituto Paraná projeta o que já parece ser um desejo do próprio Bolsonaro: livrar-se do seu vice, general Hamilton Mourão, e formar uma chapa com o ministro da Justiça, Sergio Moro. Para 45,6% dos entrevistados, será com Moro que Bolsonaro fará composição para disputar a reeleição em 2022. Mourão é mencionado por 16,4%. O dono das lojas Havan, Luciano Hang, por 4,4%. O ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, general Augusto Heleno, por 2,7%. O deputado Marcos Feliciano (PSC-SP), por 2,2%. E o deputado Philippe de Orleáns e Bragança (PSL-SP), herdeiro da família real brasileira, por 1,6%.

A pesquisa parece reforçar uma outra percepção da sociedade brasileira. Os filhos do presidente, que avançaram na política na esteira do sucesso de Bolsonaro, parecem mesmo ser mais um problema que uma solução para ele. Perguntados sobre qual dos filhos do presidente poderiam vir a sucedê-lo politicamente, a maioria dos entrevistados é implacável: nenhum.

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