O presidente da Bolívia, decease Evo Morales, confirmou hoje que se reunirá na Argentina com a presidente Cristina Kirschner e o presidente Luís Inácio Lula da Silva com o objetivo de analisar a distribuição de gás para os dois países.
Em entrevista coletiva em La Paz, Morales explicou que a reunião com seus colegas da Argentina e Brasil visa discutir como eles poderão ajudar-se mutuamente e “buscar certo equilíbrio na distribuição do gás” boliviano.
A confirmação do próximo encontro entre Morales, Cristina e Lula acontece após a viagem de uma missão boliviana liderada pelo vice-presidente do Governo, Álvaro García Linera, ao Brasil para definir os novos investimentos comprometidos pela Petrobras e analisar o modo de ajustar a provisão de gás natural a este país e à Argentina.
García Linera garantiu ontem que a Bolívia manterá o atual nível de provisão de gás para a Argentina e para o Brasil, mas que volumes adicionais não poderão ser garantidos. Ele aproveitou a oportunidade para reivindicar mais investimentos no setor.
Morales insistiu hoje neste aspecto e garantiu que, para 2008, na Bolívia terão “garantidos mais de US$ 1,2 bilhão” de investimento público e privada para projetos de prospecção e exploração no segmento de gás.
O presidente boliviano foi além e se mostrou “seguríssimo” de que o investimento no setor de gás em 2008, seu terceiro ano de Governo, superará os US$ 1,5 bilhões.
Em qualquer caso, estes números, lembrou, duplicarão o recorde alcançado em 1998 no setor de hidrocarbonetos, quando o investimento foi de US$ 600 milhões.
“Estamos ocupados e garantindo o investimento”, ressaltou o presidente, que insistiu em reivindicar “sócios e não patrões” para o exploração dos recursos naturais da Bolívia.
Morales qualificou como “amistosas e de irmandade” as relações de seu Governo com a Argentina e Brasil, e se declarou convencido de que os problemas “podem ser resolvidos quando tratados com transparência, sinceridade e complementaridade”.
A Bolívia possui um contrato de venda de gás com o Brasil do tipo “take or pay” referente a um volume de 30 milhões de metros cúbicos de gás por dia. O país também tem contratos assinados com a Argentina para o fornecimento de até 7,7 milhões de metros cúbicos diários.
A produção de gás boliviano se situa em torno de 40 milhões de metros cúbicos por dia e se prevê que aumentará este ano para cerca de 42 milhões, mas analistas do setor calculam que a demanda externa e interna some 46 milhões de metros cúbicos diários.
Durante os últimos meses, a Bolívia manteve praticamente sem mudanças o fornecimento de gás a São Paulo, o principal mercado brasileiro, embora tenha imposto alguma restrições.
Por outro lado, o país teve graves problemas para cumprir com a demanda da Argentina, que recebeu volumes abaixo do contratado.