“Todos sabemos que o Lula só não tem o terceiro mandato porque não quer. Nem eleição precisava ter. Se ele tivesse decidido que era candidato a presidente, alterando a Constituição, não haveria candidato adversário. Mas ele não quis, por causa do seu profundo veio democrático. Entendeu que a democracia brasileira é jovem demais para suportar esses acidentes e que já foi um erro ter aprovado o segundo mandato no meio do jogo, no período FHC”, disse o ministro Paulo de Tarso Vannucchi, da secretaria Especial de Direitos Humanos.
Ele fez a afirmação em entrevista, ontem, na Câmara Municipal de Bauru (SP), contrapondo-se à declaração do presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), Alejandro Aguirre, que classificou Lula como “falso democrata” e disse que o presidente brasileiro, aliado de Fidel Castro e Hugo Chávez, age em desacordo com os interesses da população.
O ministro disse que respeita a imprensa, mas ela tem de estar aberta ao amplo debate e jamais “abrigar a histeria” para a defesa de alguns temas. “Nós temos tentado discutir fórmulas de regulamentação ou autorregulamentação em que os meios de comunicação possam prestar melhores serviços à comunidade, mas isso tem sido impossível”, disse, lembrando que a questão do Conselho Federal de Jornalismo era apenas uma proposta e que o importante seria uma autorregulamentação parecida com a hoje existente na publicidade, mas nem isso foi possível.
Vannucchi prega o mesmo para o rádio e a televisão. “Eu acho que é preciso convencer os órgãos de imprensa de que eles não podem seguir transformando seus veículos em veículos de histeria antidemocrática”, afirmou.
Palmada e beliscão
Ainda em relação à imprensa, Vannucchi defende a segmentação. Sua ideia é segmentar para democratizar: “Precisamos ter claro que, quando temos um único noticiário de televisão que, às 8h30 da noite, centraliza 60 milhões de pessoas, a democracia brasileira ainda requer mais segmentação, mais equalização entre as diferentes televisões e rádios e também o direito de comunidades, igrejas e sindicatos terem suas rádios, suas TVs de alcance limitado, porque isso abre o leque e oferece mais chances de discussão e informação ao cidadão”.
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