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Política & Poder

Ministro culpa aliados de Lula nos estados por obras não impulsionarem presidente

O ministro admite que uma aliança tão ampla impõe como consequência a dificuldade de o governo reivindicar a autoria de suas obras

Redação Jornal de Brasília

09/04/2026 14h50

wellington dias

Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil


CAIO SPECHOTO E CATIA SEABRA
FOLHAPRESS

O ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, disse à reportagem que a falta de organização na base de apoio político do presidente Lula (PT) faz com que os programas do governo federal não impulsionem a popularidade do petista como poderiam.

Segundo esse raciocínio, setores aliados de Lula em alguns estados não creditam ao governo o mérito por programas federais, permitindo que o eleitorado associe as obras a outros grupos políticos. Dias mencionou indiretamente o fato de estarem computados como conquistas de políticos que, na prática, são oposição —mas não citou nomes.

Lula —que, em 2025, disse que se tornaria cada vez mais esquerdista— convive com um Congresso hoje dominado por deputados e senadores de direita e do centrão. Conseguiu obter vitórias em votações importantes cedendo espaços a partidos que só o apoiam parcialmente, como PP e União Brasil.

O ministro admite que uma aliança tão ampla impõe como consequência a dificuldade de o governo reivindicar a autoria de suas obras. “Há esse efeito colateral onde ao mesmo tempo estamos fazendo [obras] com quem é governo e com quem é oposição”, diz.

“Não tinha um sistema de água, agora tem. Não tinha uma UTI na cidade, agora tem. E, para a pessoa, quem fez isso não foi o governo do Brasil”, afirma.

Dias cita que o governo federal transfere recursos para estados e municípios, e que os políticos do local nem sempre explicitam que a ação realizada é em parceria com a gestão Lula. “É como se fosse só do município ou só do estado. Em muitos lugares mudam até o nome do programa”, declara.

“Em boa parte do país é como se a gente estivesse jogando [as ações] de um helicóptero. Quem está lá em baixo não sabe quem está no helicóptero”, acrescenta.

O ministro cita o Piauí, onde foi governador por dois mandatos, como um dos lugares onde Lula é mais popular e obtém as maiores votações. O ministro atribui esses resultados à organização da base política local e à delimitação clara entre governistas e opositores.

“Quando a base do governo é mais organizada e mais presente, chega melhor à população a percepção de quem fez [a obra].”

O órgão do governo com maior responsabilidade sobre a organização do apoio político ao presidente da República é o Ministério das Relações Institucionais. A pasta já foi comandada, no atual mandato de Lula, por Alexandre Padilha e Gleisi Hoffmann. Dias não responsabiliza o ministério nem seus antigos ocupantes por essa falta de organização.

O cargo de ministro das Relações Institucionais está vago desde a semana passada, quando Gleisi deixou o posto para poder se candidatar a senadora pelo PT do Paraná. Dias é um dos citados, nos bastidores, como possível substituto da agora ex-ministra.

Lula concorrerá à reeleição neste ano. As pesquisas de intenção de voto apontam que ele está empatado com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal pré-candidato de oposição. Além disso, a avaliação negativa do governo Lula tem predominado sobre a positiva.

O chefe do governo e seus principais aliados avaliam que a gestão produziu bons programas e obras, e esperavam que medidas como o aumento na faixa de isenção do Imposto de Renda fossem capazes de aumentar a popularidade do petista.

“O presidente está muito interessando em compreender, com tantas entregas, qual é a percepção da população”, diz Dias.

O ministro do Desenvolvimento Social também menciona dificuldades para comunicar ações do governo a apoiadores que querem promover o governo Lula em nível local. “Há uma queixa de que não conseguem dominar sobre o que o governo faz nesses lugares.”

Lula instruiu a maioria de seus principais auxiliares a deixar o governo e construir candidaturas próprias para cargos como deputado e senador.

Dias, assim como os ministros Alexandre Padilha (Saúde), Luiz Marinho (Trabalho) e Guilherme Boulos (Secretaria Geral), é parte de um grupo que Lula manteve na gestão para evitar um esvaziamento total da gestão durante a campanha.

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