Conversas entre Daniel Vorcaro, controlador do Grupo Master, e Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, revelam que a tramitação da compra do Master pelo banco público na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) envolveu articulação política que, segundo o relato do banqueiro, chegou à presidência nacional do Partido dos Trabalhadores. Os diálogos foram publicados com exclusividade pelo portal Fatos Online.
De acordo com o site, as mensagens foram extraídas de celulares dos envolvidos, passaram por perícia da Polícia Federal e integram os autos de um processo judicial.
As conversas são de 19 de agosto de 2025, dia em que a CLDF votaria, em dois turnos, a autorização para que o BRB adquirisse o Master. Às 14h04, Paulo Henrique informou a Vorcaro que havia uma orientação do PT nacional para obstruir a votação e perguntou se o presidente Lula apoiava ou não a operação. Vorcaro respondeu que iria falar “c a turma”.
Às 14h17, o banqueiro voltou a escrever: “Edinho avisado, disse que vai atuar”. A referência é a Edinho Silva, presidente nacional do PT. Na sequência, Vorcaro recomendou ao presidente do BRB: “Melhor ir via ele e nao expor presidente”. E completou: “E usar ai se for necessário”. Pelo teor da troca, a orientação era recorrer primeiro ao interlocutor partidário e manter um eventual contato com Lula como alternativa.

As mensagens não mostram o que Edinho Silva fez, se fez algo, depois de ter sido procurado. Segundo o portal, não houve interferência do PT nacional para impedir a votação, seja por via judicial ou por meio de instrumentos do governo federal.
No fim da tarde, às 17h30, Paulo Henrique avisou a Vorcaro que a matéria estava “caminhando para votação” e, pouco depois, perguntou se estava tudo bem. O banqueiro respondeu: “Na luta”.
A proposta foi aprovada em primeiro turno por 15 votos a 7. Ao receber a informação, Vorcaro reagiu com o emoji de mãos juntas. No segundo turno, o placar foi de 14 a 7. Às 19h30, o presidente do BRB comunicou: “Aprovado em segundo turno” e “Temos autorização”. Às 19h49, escreveu: “Agora temos a lei”.

Papel de Ibaneis
Ainda segundo o Fatos Online, registros extraídos do celular de Vorcaro indicam que o então governador Ibaneis Rocha discutiu diretamente etapas, estratégias e condições da aquisição, o que contraria a versão de que Paulo Henrique Costa teria conduzido as negociações sozinho. Foi Ibaneis quem enviou o projeto à CLDF em regime de urgência.

Banco Central barrou o negócio
Apesar da autorização legislativa, a compra não se concretizou. Em setembro de 2025, o Banco Central rejeitou a operação, e o Master não foi adquirido pelo BRB.
A tentativa de aquisição deixou o banco público do Distrito Federal em meio a uma crise de grandes proporções. As investigações sobre o Master passaram a abranger operações financeiras, dirigentes e relações políticas ligadas ao caso.
Em nota, a assessoria de imprensa de Edinho Silva afirmou, em nota, que o presidente desconhece completamente o diálogo mencionado e classificou a informação como “uma ilação sem lastro com a realidade”.