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Política & Poder

Meninas são violentadas até quando vão procurar emprego, diz Lula em evento em SP

Ele também mencionou dificuldades enfrentadas por quem busca emprego sem formação e citou a necessidade de ampliar oportunidades por meio da educação.

Redação Jornal de Brasília

10/04/2026 19h36

Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

BÁRBARA SÁ
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Ao defender programas educacionais no ABC paulista nesta sexta-feira (10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que mulheres podem sofrer violência até em entrevistas de emprego. “As meninas são violentadas às vezes [até] quando vão procurar emprego, numa entrevista”, disse durante a inauguração da unidade Tamanduatehy da Universidade Federal do ABC (UFABC), em Santo André.


A declaração ocorre um dia após a sanção da lei que amplia o uso de tornozeleiras eletrônicas para monitoramento de agressores, medida voltada ao enfrentamento da violência contra a mulher.


No discurso, Lula defendeu o acesso à educação e afirmou que mulheres precisam estudar para ter independência. “As mulheres precisam estudar, estudar, estudar para viver com quem quiserem, e não viver com ninguém por causa de um prato de comida ou por causa do aluguel”, disse.


Ele também mencionou dificuldades enfrentadas por quem busca emprego sem formação e citou a necessidade de ampliar oportunidades por meio da educação.


Não é a primeira vez que o presidente relaciona a ausência de qualificação à violência. Em 2024, afirmou que “uma mulher que não tem profissão vai casar e, se não tomar cuidado, o marido vai agredi-la, e ela vai ficar com esse marido porque precisa dar comida para os filhos”.


Durante o evento desta sexta, Lula voltou a falar sobre programas voltados à permanência de estudantes na escola e à formação de professores. Citou o Pé-de-Meia, voltado a alunos do ensino médio, e o Pé-de-Meia Licenciaturas, direcionado a estudantes que optam por cursos de formação docente.


Ele afirmou que cerca de 500 mil jovens deixavam o ensino médio todos os anos para contribuir com a renda familiar. Ao comentar o tema, questionou o impacto da evasão escolar no país. “Qual é o futuro de um país em que meio milhão de jovens abandona a escola para trabalhar?”, disse.


O presidente também afirmou que políticas educacionais exigem investimento e defendeu a continuidade desses programas. “Custa caro? Custa. Mas quanto custa não fazer? Quanto custa o atraso?”, afirmou.


Ao lado do presidente, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, destacou a ampliação do acesso ao ensino superior nas últimas décadas e afirmou que o perfil das universidades federais mudou.


“Hoje a universidade federal é o retrato do povo brasileiro. Metade dos estudantes vem de escola pública”, disse o ministro, ao mencionar a presença de alunos de baixa renda nas instituições.


Ele também afirmou que o número de universidades federais passou de 45 para 71 e que houve expansão de campi para regiões do interior e da periferia. “A universidade pública não existia na periferia, não existia no interior. Hoje, ela está espalhada por todo o país”, disse.


De acordo com o ministério, o total de estudantes nas universidades federais passou de cerca de 500 mil para aproximadamente 1,5 milhão nas últimas décadas. Os alunos, por outro lado, cobram expansão de programas de apoio à permanência, já que o ingresso no ensino superior para parte dos estudantes é acompanhado pelo desafio de se manter no curso até a graduação.


A cerimônia marcou a inauguração da unidade Tamanduatehy da UFABC, que integra o projeto de expansão do campus Santo André. O novo espaço recebeu investimento de R$ 155,7 milhões do governo federal, sendo R$ 35,8 milhões provenientes do Novo PAC.


A estrutura foi projetada para apoiar a formação de estudantes das engenharias da universidade e abriga salas de aula, auditórios, laboratórios didáticos e de pesquisa, além de espaços multiuso e setores administrativos voltados ao ensino e às atividades institucionais.


O reitor da UFABC, Dácio Roberto Matheus, afirmou que o prédio deve atender cerca de 3.000 alunos diariamente e destacou que a obra levou quase dez anos para ser concluída. Enquanto expande a estrutura universitária, o governo federal também é alvo de críticas pelos projetos parados ou abandonados.


Matheus disse que a finalização foi possível após a retomada de investimentos e citou a construção de uma passarela sobre o rio Tamanduateí, que deve ligar as duas unidades do campus.


A transferência dos cursos de engenharia para a nova unidade deve liberar espaço na sede atual para a ampliação de cursos de licenciatura e formação de professores. “Nós estabelecemos um programa para recuperar a formação de professores para a nossa região, para que não haja um apagão”, afirmou.


A universidade também informou que a nova unidade faz parte do processo de consolidação do campus e deve ampliar a capacidade de ensino, pesquisa e integração com a região.


Ao longo do discurso, Lula voltou a defender o investimento em educação e afirmou que o país deve ampliar a rede federal de ensino. Ele disse que pretende encerrar o mandato com 780 institutos federais.


Para o presidente, a ampliação do acesso ao ensino está diretamente ligada à melhoria das condições de vida da população. Ao tratar do tema, voltou a mencionar a relação entre educação e situações de vulnerabilidade enfrentadas por mulheres.

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