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Política & Poder

MDB poderá ter Ibaneis como presidente nacional

Arquivo Geral

30/01/2019 7h00

Atualizada 29/01/2019 21h16

Foto: Cesar Itiberê/PR

Francisco Dutra
francisco.dutra@grupojbr.com

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), caminha para ocupar uma posição no comando nacional do MDB. Estreante na política e eleito com 1.042.574 votos, o chefe do Executivo tem chances de assumir a presidência nacional do partido. Bem visto por lideranças históricas da legenda, como os ex-presidentes da República José Sarney e Michel Temer, o novato outsider é uma aposta de oxigenação do Movimento Democrático Brasileiro.

O ex-presidente da seccional brasiliense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tem conquistado o respeito e a confiança de caciques e correligionários com diversos gestos. Em primeiro lugar, o governador não trata o partido como um trampolim. “Antes mesmo da eleição, Ibaneis tem repetido sempre uma coisa: Eu vim para ficar no MDB. Não pretendo sair do partido”, contou um personagem do núcleo governista.

Na montagem do governo, Ibaneis importou diversos nomes do antigo governo de Michel Temer. Por exemplo, o ex-ministro dos Direitos Humanos e ex-subchefe da Casa Civil, Gustavo Rocha, ocupa a Secretaria de Justiça. O chefe da Casa Civil do DF, Eumar Novak, foi secretário executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Filho do ex-presidente Sarney, deixou o Ministério do Meio Ambiente para gerenciar a pasta ambiental brasiliense.

Logo após o resultado eleitoral de 2018, a informação de que Ibaneis pretendia assumir tomar as rédeas do diretório regional do MDB das mãos de Tadeu Filippelli começou a correr pelas bastidores do DF. Mas, a princípio, o movimento do governador busca respeitar regionalmente o aliado e padrinho eleitoral, focando em patamares nacionais.

Em conversas reservadas, outros atores, dentro e fora do governo, já ouviram do chefe do Executivo a intenção de avançar para uma posição na Comissão Executiva Nacional do MDB, incluindo o posto de presidente. Por outro lado, interlocutores do governador relatam uma versão um pouco distinta. O movimento de ascensão de Ibaneis não partiria de um desejo pessoal do governador, mas das atuais lideranças nacionais, preocupadas com a renovação do partido.

Leque de alianças com os estados

O crescimento de Ibaneis avança junto com o fortalecimento do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), no tabuleiro nacional. Em parceria com o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), a dupla constrói de um polo de força suprapartidário junto com personagens do NOVO, PSL, DEM e PSD.
A princípio, o grupo busca uma estratégia para garantir recursos e projetos estudais. Mas também avalia as possibilidades de um alinhamento para as eleições de 2022.

Em São Paulo, o governador do DF trabalhou na aproximação de nomes estratégicos do MDB com o governo do PSDB, a exemplo de Jarbas Zuri e Arlon Viana. São dois personagens extremamente próximos de Temer e tem grande interlocução política no cenário paulista. Ibaneis também fez a ponte para Doria conquistar a simpatia do deputado federal Baleia Rossi (MDB/SP) e do deputado estadual Jorge Caruso (MDB/SP).

Estes gestos deram condições para o tucano as condições para eleger o futuro presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, na votação prevista 15 de março. A aliança, praticamente, naufragou a pretensão da deputada estadual Janaína Paschoal (PSL) de conquistar o comando da Casa.

Doria tem atuado em Minas Gerais para fortalecer a gestão do governador Romeu Zema (NOVO). Consequentemente, a ação enfraquece João Amoêdo no comando do partido. Neste sentido, não será surpresa se em breve o PSDB ganhar espaços na gestão Ibaneis.

Ponto de Vista

Membro da Executiva Nacional do MDB e seu presidente regional, Tadeu Filippelli tem conversado com Ibaneis sobre o futuro do partido. “Todo membro do partido tem legitimidade para pleitear. Hoje Ibaneis é um bom quadro do partido. Então seria legitimo. Ele já conversou comigo sobre o assunto”, comentou Filippelli. Segundo o dirigente, os gestos do Ibaneis claramente visam a construção de um projeto político nacional. Contudo, considera prematura a discussão sobre as eleições de 2022, na qual articuladores especulam uma chapa com Doria e Ibaneis para o Palácio do Planalto. “Ainda não é a hora. O DF é a unidade da Federação que abriga os Poderes”, resumiu. Além disso, a maioria dos governadores, incluindo Ibaneis e Doria, busca neste momento construir soluções para crise nacional junto com o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL). E de fato Ibaneis buscou indicações do Governo Federal para pastas de peso. Os principais exemplos são o secretário de Saúde, Osnei Okumoto, e o secretário de Segurança, Anderson Torres.

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