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Política & Poder

Mais uma técnica do IBGE é exonerada em meio a crise com gestão Pochmann

A crise no IBGE explodiu no segundo semestre de 2024, quando o sindicato de trabalhadores (Assibge) e o corpo técnico passaram a questionar medidas da direção

Redação Jornal de Brasília

28/01/2026 14h28

Foto: Elza Fiuza/Agência Brasil

LEONARDO VIECELI
FOLHAPRESS

Mais uma técnica do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) foi exonerada em meio a uma crise entre os servidores e a gestão do presidente Marcio Pochmann.

Trata-se da gerente Ana Raquel Gomes da Silva, lotada na Gecoi (Gerência de Sistematização de Conteúdos Informacionais). A área cuida de processos de publicações do IBGE, como a revisão de periódicos.

Segundo pessoas com conhecimento do assunto, a exoneração foi comunicada pela direção à servidora em reunião na manhã desta quarta-feira (28). A decisão ainda deve ser formalizada no Diário Oficial.

O nome substituto não foi confirmado até o momento. Há expectativa de que um funcionário recém-chegado ao IBGE assuma o posto.

A reportagem procurou a técnica e a direção do instituto, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem.

Há exatamente um ano, Ana Raquel e outro servidor denunciaram a suposta propaganda política do Governo de Pernambuco em uma publicação do IBGE chamada “Brasil em Números”.

De acordo com eles, a direção do instituto recebeu e aprovou o material, que citava ações da gestão estadual em áreas como habitação e educação.

“O Governo do Estado de Pernambuco tem resolvido esse déficit [habitacional] com as ações do Programa Morar Bem, a maior política habitacional da história do estado”, dizia trecho do prefácio do “Brasil em Números”. O texto levava a assinatura da governadora Raquel Lyra (PSD).

Após o caso se tornar público, Pochmann indicou que o IBGE recorreu a parcerias para viabilizar a publicação devido à falta de recursos. O presidente disse que não havia “nenhum ferimento à forma” de tratar as informações.

Já a carta dos servidores apontou que a inclusão do prefácio estava “em frontal desacordo com as boas práticas institucionais” e não tinha “qualquer preocupação” com a possibilidade de caracterizar propaganda política, o que seria “algo absolutamente inédito no IBGE”.

A crise no órgão explodiu no segundo semestre de 2024, quando o sindicato de trabalhadores (Assibge) e o corpo técnico passaram a questionar medidas da direção.

A turbulência teve novos episódios neste mês, a partir da exoneração da pesquisadora Rebeca Palis do posto de coordenadora das contas nacionais.

A área é responsável pelo cálculo do PIB (Produto Interno Bruto), que mede o desempenho da atividade econômica.

A próxima divulgação do PIB, relativa ao quarto trimestre e ao acumulado de 2025, ocorre em pouco mais de um mês. Está agendada para 3 de março.

Pelo menos três técnicos entregaram seus cargos de gerência depois da demissão de Rebeca, confirmada no dia 19 de janeiro.

A lista inclui Cristiano Martins (gerente de bens e serviços e substituto da coordenadora), Claudia Dionísio (gerente das contas nacionais trimestrais) e Amanda Tavares (gerente substituta da área).
O movimento foi interpretado por fontes a par do assunto como demonstração de solidariedade a Rebeca.

Em uma das cartas que se tornaram públicas com críticas à gestão Pochmann, pesquisadores declararam que a condução do IBGE ocorria sob “viés autoritário, político e midiático”. Rebeca foi um dos nomes que assinaram o manifesto, divulgado em janeiro do ano passado.

Sem citar a troca nas contas nacionais, Pochmann rebateu na semana passada as acusações de autoritarismo e disse que a sua gestão serve para tomar decisões.

“Muitas vezes o colega fala em determinada decisão: ‘Ah, isso é autoritarismo’. Para um pouquinho, vamos estudar então o que foi o IBGE nos anos 1960 e 1970, sob a ditadura militar”, afirmou o presidente.

“Quantos colegas do IBGE foram presos, demitidos, perseguidos [na ditadura]? O que era trabalhar numa instituição em que havia censor?”, acrescentou.

Pochmann tomou posse em agosto de 2023, após indicação do presidente Lula (PT), de quem o economista é próximo. Ele tem repetido em discursos que a sua gestão busca modernizar o IBGE.
“Sou visto como o cara polêmico, mas, na verdade, estamos repensando a casa”, declarou em entrevista recente à Folha.

O ponto de partida da crise interna em 2024 foi o projeto de criação de uma fundação chamada IBGE+. Seu estatuto abria margem para produção de trabalhos para organizações privadas.

Servidores passaram a questionar a fundação, dizendo que a ideia não havia sido discutida com eles previamente. Críticos apelidaram a proposta de IBGE paralelo. Após os questionamentos, o projeto foi suspenso em janeiro do ano passado.

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