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Política & Poder

Maioria conservadora deve mudar agenda do Congresso

Especialista avalia que a nova composição do Congresso tende a dar mais espaço a pautas de segurança, valores e custo de vida. O cenário também pode influenciar debates sobre o STF e temas trabalhistas

Redação Jornal de Brasília

06/10/2026 17h05

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Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil Versão em áudio

O crescimento da participação de partidos mais conservadores no Congresso Nacional e nos governos estaduais foi interpretado como uma resposta do eleitorado a pautas do dia a dia, segundo o economista, doutor em ciência política e professor da Universidade de Brasília (UnB) Jeferson Ramos dos Santos.

Em avaliação ao jornalismo da Rádio Nacional, o professor afirmou que campanhas regionais priorizaram temas como segurança pública, custo de vida, valores e família, que se consolidaram como pautas dominantes nas regiões onde foram eleitos senadores, deputados estaduais e federais e governadores. Para ele, esses assuntos foram relevantes, mas não teriam sido abordados de forma adequada pelo governo federal.

Jeferson também disse que a crise recente no Supremo Tribunal Federal (STF) pesou menos no voto e acabou ficando mais de lado nas disputas eleitorais. Ainda assim, avalia que a nova configuração do Senado deve colocar o tribunal no centro das discussões legislativas, com possíveis debates sobre a extensão do poder individual de cada ministro e, eventualmente, até sobre a limitação do mandato dos integrantes da Corte.

Na pauta trabalhista, o professor citou o fim da escala 6×1, cuja votação está prevista para esta semana, conforme confirmado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Com a mudança expressiva na composição da Câmara e do Senado, ele acredita que o ritmo de votação e o perfil das propostas tendem a mudar, e não descarta mais tempo até o tema chegar ao plenário.

O especialista também relacionou o cenário legislativo ao resultado da disputa presidencial. De acordo com os números divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) vão para o segundo turno com a menor diferença já registrada em um primeiro turno eleitoral, de cerca de 2,22 milhões de votos, ou 1,87 ponto percentual, a favor de Flávio.

Para Jeferson, a disputa segue aberta e competitiva para 25 de outubro, data em que os brasileiros voltam às urnas. Ele destacou ainda a abstenção recorde e disse que o resultado final da eleição presidencial pode influenciar a agenda da nova legislatura da Câmara e do Senado, a partir de 1º de fevereiro de 2027. Segundo o professor, uma agenda mais conservadora pode reduzir o espaço para temas trabalhistas e reforçar pautas de valores e segurança pública, enquanto o desfecho da eleição pode reequilibrar ou empurrar essas discussões ainda mais à direita.

O horário eleitoral para o segundo turno volta nesta sexta-feira (9). Os candidatos à Presidência da República e aos governos de seis estados mais o Distrito Federal poderão fazer propaganda até 23 de outubro, dois dias antes do pleito final.

Com informações da Agência Brasil

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