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Política & Poder

Lula tem avaliação abaixo do patamar de presidentes que venceram eleições desde 2002

Redação Jornal de Brasília

18/03/2026 5h58

Foto: ARIF KARTONO / AFP

A sete meses da eleição presidencial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega à reta final do mandato com avaliação positiva abaixo do patamar registrado por governantes que conseguiram se reeleger ou eleger sucessores.

Pesquisa Ipsos-Ipec divulgada na última terça-feira, 10, aponta que 33% dos brasileiros classificam o governo como ótimo ou bom, enquanto 40% o consideram ruim ou péssimo. A avaliação positiva corresponde à soma das menções de ótimo e bom, enquanto a negativa reúne as avaliações ruim e péssimo.

Levantamento do Estadão, com base nas rodadas de março de anos eleitorais das pesquisas de popularidade do antigo Ibope, hoje Ipsos-Ipec, mostra que, desde 2002, presidentes que chegaram a essa etapa do calendário eleitoral com avaliação positiva igual ou inferior à registrada atualmente por Lula não conseguiram se reeleger nem eleger sucessores.

“Do jeito que está hoje, com esse patamar, fica muito difícil para Lula se reeleger”, avalia o cientista político Alberto Carlos Almeida.

Os dados históricos reforçam essa leitura. Em seus dois primeiros mandatos, Lula mantinha níveis mais confortáveis de avaliação positiva a sete meses das eleições presidenciais. Em 2006, quando se reelegeu, tinha 38% de avaliação positiva; já em 2010, ao alcançar 75%, conseguiu eleger a então governista Dilma Rousseff.

Já o índice atual se aproxima do registrado por presidentes que chegaram a essa fase do calendário eleitoral com níveis mais baixos de avaliação positiva e acabaram derrotados nas urnas ou sem conseguir transferir capital político a sucessores.

É o caso de Michel Temer, cujo governo registrava 5% de avaliação positiva em 2018, quando o candidato apoiado por ele, Henrique Meirelles, não avançou na disputa presidencial, e do ex-presidente Jair Bolsonaro, que tinha cerca de 19% de ótimo ou bom antes da eleição de 2022 e acabou derrotado.

O levantamento também mostra que, a essa altura do mandato, presidentes que registraram mais avaliações negativas do que positivas nas pesquisas de popularidade não conseguiram se reeleger nem eleger sucessores. Ou seja, governantes com saldo negativo de avaliação acabaram não obtendo sucesso. Lula registra atualmente saldo negativo de sete pontos nas pesquisas.

O resultado da pesquisa ocorre após um período de recuperação da popularidade de Lula no fim do ano passado. Como mostrou o Estadão, o presidente conseguiu negociar e reverter parcialmente o tarifaço anunciado pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, episódio que fortaleceu o discurso do governo em defesa da soberania nacional.

Para a oposição, um conjunto de fatores ajuda a explicar a queda. O senador Rogério Marinho (PL-RN) atribui o recuo na popularidade ao “cansaço” do eleitor com a gestão petista e à instabilidade econômica marcada pela percepção de alta carga tributária.

Marinho é coordenador da campanha do pré-candidato e também senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que aparece empatado com Lula na última pesquisa Genial/Quaest em um cenário de segundo turno. Ambos registram 41% das intenções de voto nesse cenário. “O povo tem a sensação de que o governo Lula já deu. É mais do mesmo”, avalia.

O líder do PL na Câmara, Zucco (PL-RS), vai na mesma linha e destaca a série de episódios negativos nos últimos meses. Entre eles está a repercussão de investigações que atingem o entorno do presidente, como a ofensiva da CPMI do INSS, que tem como um dos alvos o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, além do caso envolvendo o Banco Master. “Como o próprio Flávio vem dizendo, Lula é um produto com prazo de validade vencido”, diz o deputado.

Aliados do governo contestam essa avaliação. O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) avalia que a tendência é de recuperação da popularidade à medida que o debate eleitoral se intensifique e os eleitores passem a comparar o cenário atual com períodos anteriores. “A decisão do voto costuma levar em conta um conjunto mais amplo de fatores, e a população já começa a perceber essa mudança para melhor”, avalia.

Para Alberto Carlos Almeida, no entanto, é difícil atribuir a queda da popularidade do presidente a um fator predominante. “Essas são hipóteses que podem ajudar a explicar o índice de avaliação de Lula neste momento”, afirma.

Segundo ele, embora historicamente presidentes que disputam a reeleição tendam a melhorar seus índices ao longo do ano eleitoral e ainda haja tempo para recuperação, Lula III não apresenta nenhuma grande novidade capaz de impulsionar a popularidade do governo. “Em outros mandatos dele havia uma certa euforia de novidades, como o Bolsa Família. Agora isso não está acontecendo, e isso dificulta. Esses mesmos programas sociais podem ser insuficientes. Então, pode ou não se recuperar”, explica.

A leitura é compartilhada por cientistas políticos ouvidos pelo Estadão, que apontam que muitos desses programas sociais passaram a ser percebidos pelos eleitores menos como conquistas do governo e mais como direitos adquiridos, o que pode reduzir seu impacto eleitoral.

Estadão Conteúdo

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