Brasília, 14 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera todos os cenários de primeiro turno, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada ontem. Os porcentuais de intenção de voto no petista vão de 36% a 39%, a depender dos adversários. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se consolidou como principal oponente do presidente neste momento pré-eleitoral. Ele aparece em segundo lugar em todos os cenários em que foi testado, variando entre 23% e 32% das intenções de voto.
Foram testados sete cenários eleitorais estimulados, a depender dos governadores de direita que podem se lançar candidatos à Presidência, como Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás, Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Ratinho Jr. (PSD), do Paraná. Dos sete cenários testados, seis incluem Flávio.
No primeiro cenário, Lula tem 36% das intenções de voto, enquanto Flávio aparece com 23%, Tarcísio, com 9%, e Ratinho Jr , 7%. No levantamento anterior, divulgado em 16 de dezembro, Lula tinha 41% das intenções de voto ante 23% de Flávio e 13% de Ratinho Jr.
No mesmo cenário, Caiado tem 3% e Zema, 2%. Renan Santos (Missão) e Aldo Rebelo (DC), 1% cada. Indecisos são 7% e brancos e nulos, 11%.
No cenário com Flávio e sem Tarcísio, Lula registra 35% das intenções de voto; Flávio, 26%; Ratinho, 9%; Caiado 4% e Zema 3% Aldo Rebelo, 2%, e Renan Santos, 1%. Indecisos são 8% e brancos e nulos, 11%.
No único cenário que exclui Flávio e inclui Tarcísio, o atual presidente tem 39% ante 27% do governador de São Paulo. Caiado tem 5%, enquanto Renan aparece com 4% e Aldo com 3%. Indecisos são 8% e 14% disseram que vão votar em branco ou nulo.
A Quaest testou diferentes possibilidades que mantêm Flávio como candidato, mas variam os demais candidatos de direita. Entre os cenários testados, Lula teria maior porcentual de intenção de voto (40%) se disputasse contra Flávio (23%), Tarcísio (14%), Renan (2%) e Aldo (2%).
Trocando Tarcísio por Ratinho, Lula teria 37%; Flávio, 28%; Ratinho, 11%; Renan, 2%; e Aldo, 2%. Com Zema, Lula teria 39%; Flávio, 32%, e Zema, 5%. Contra Caiado, Lula tem 38% das intenções de voto; Flávio, 31%; e Caiado, 5%.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas entre 8 e 11 de janeiro. A margem de erro é de dois pontos porcentuais. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 8 de janeiro com o número BR-00835/2026.
Lula também lidera todos os cenários de segundo turno testados pela Genial/Quaest. Nesse caso, os adversários mais competitivos são Tarcísio, Flávio Bolsonaro e Ratinho Jr. Lula aparece com 44% ante 39% de Tarcísio. Já no cenário com Flávio, o presidente tem 45% e o senador, 38%. Contra o governador do Paraná, Lula aparece com 43% e Ratinho Jr. tem 36%.
DIVISÃO
Identificado pelas pesquisas mais recentes, o avanço de Flávio e sua consolidação como o principal oponente de Lula neste momento ocorre ao mesmo tempo em que integrantes da ala mais ideológica do bolsonarismo reclamam do que consideram como apoio tímido – ou até falta de adesão – de políticos aliados à candidatura do senador e filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Essa ala ideológica do bolsonarismo tem se queixado do comportamento do governador de São Paulo, acusado internamente de oferecer um apoio “velado” à postulação de Flávio.
Bolsonaristas também têm criticado a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). Uma publicação da ex-primeira-dama anteontem acendeu um alerta no campo mais alinhado ao ex-presidente e foi interpretada como uma “indireta” ao senador. Michelle republicou no Instagram um vídeo de Tarcísio, no qual ele faz críticas à política econômica do governo Lula.
O governador de São Paulo é visto por setores do Centrão e do mercado financeiro como o nome mais competitivo da direita para enfrentar Lula, mas tem adotado postura discreta desde que Bolsonaro referendou publicamente a pré-candidatura do filho.
Anteontem, Flávio afirmou que Tarcísio dará apoio a ele “no momento certo”. “Está com a gente”, disse o senador ao deixar a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde foi visitar o pai. “Fica uma pressão em cima do governador. Ele já declarou que é candidato à reeleição. Ele já declarou que vai me apoiar.”
Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente está preso na sede da PF em cumprimento à pena de 27 anos de reclusão em regime fechado por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.
REJEIÇÃO
A alta rejeição é um dos fatores que geram resistência à pré-candidatura do senador pelo PL. Segundo a Genial/Quaest, apesar de liderar os cenários de segundo turno, o presidente Lula aparece com 54% de rejeição em janeiro de 2026, porcentual semelhante ao registrado em dezembro do ano passado. Entre os adversários mais competitivos, Flávio tem 55% de rejeição, enquanto o governador de São Paulo soma 43% e o governador do Paraná, 41%.
A pesquisa aponta que 44% dos entrevistados consideram que foi um erro o ex-presidente Jair Bolsonaro indicar seu filho para a futura disputa presidencial. Outros 43% consideram que a decisão foi correta. A pesquisa mostra que 62% sabem que a indicação de Flávio foi feita pelo pai dele, enquanto 38% desconhecem essa informação.
O levantamento também mostra que 22% dos entrevistados dizem votar em qualquer candidato indicado por Bolsonaro; 24% disseram que levam a indicação em conta, mas que ela não é decisiva; e 49% não votam no candidato indicado por ele de jeito nenhum.
O governo Lula tem 49% de desaprovação e 47% de aprovação, segundo a pesquisa. Os índices se mantiveram estáveis em relação à pesquisa anterior, de dezembro, quando os porcentuais eram 49% e 48%, respectivamente.
Estadão Conteúdo